Uma palavra de despedida apenas. Atritos permanentes

Publicado em: 17/06/2012

Ninguém mais se lembra das esperanças que eu tinha e que mataram a pontapés, com desdém, com sarcasmos. Mas todos se lembrarão de que eu parti. De que não suportei a vida que levava em cada minuto de lutas. As noites cheias de desejos morriam no tic-tac do relógio. Os reclamos constantes quando à noite procurava – pelo menos – um abraço, um carinho a mais, uma palavra amiga, foram se tornando lugar-comum e deixaram até de existir Daí para a frente, daí para a indiferença a tudo e a todos, foi um passo. Se isso não acontecesse, a loucura teria chegado. Ou será que a loucura há muito já havia chegado sem que soubéssemos…? Sim. A loucura já tinha vindo, sorrateiramente, brincar com a vida dos inconseqüentes. O exibicionismo atingiu o auge. A ostentação, um insulto permanente. Cóleras surdas, como centro de uma vida a dois. A vida não desapareceu; acontece que nunca existiu em sua plenitude. Atritos permanentes. O individualismo tomou conta, um vulto formidável. Tentaram encobrir as sombras com os próprios passos e acenos incoerentes. Nada conseguiram.

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