Uma palavra de despedida, apenas: incompreensões

Publicado em: 04/11/2012

Um dia, ela apareceu. Sofrida, como eu. Sozinha, intimamente só, como eu. Um mês, amigos, simplesmente. Dois meses, confidentes. Depois, amantes. Dois anos após, pais. Onze meses depois, desesperados, porque a vida foi matando os sonhos sonhados. Além da criança, nada mais realizado. Sofreu comigo. Desesperou-se comigo. Levantou-me muitas vezes, compreendendo as minhas dificuldades. Foi mulher. Total. Mas mulher sem futuro algum, mulher prisioneira dos meus ciúmes e das minhas incompreensões. Até que ela disse: – É o fim…? E eu sabia, juro, que sabia. Tinha de ser. – Não sei mais o que pensar. Terei que ser digno, pelo menos uma vez na vida. – Trata-se de compreendermos, apenas, que assim não é possível. Quando faltam as coisas aqui, é porque você levou pra lá. Quando falta lá, é porque você as trouxe. – Então é hora de parar de sonhar. Mas como parar de sonhar? Como esquecer? Como guardar segredo?

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