Uma palavra de despedida, apenas: morrer

Publicado em: 05/08/2012

Parece que foi há um século. Queria morrer. O caminhão da publicidade colorida num eterno pisca-pisca no alto dos prédios… Não podia mais recordar. Definitivamente, chegou ao final. O muro, sim, o muro o separou das rosas e dos espinhos… – Gaze… Tesoura… Clorofórmio… Ele queria tanto descobrir os porquês de tudo… Nunca havia uma palavra de despedida, de saudade prévia. Mas havia a esperança. Ah! A esperança! Essa, sim, tem vida longa. Comovidamente disse adeus às pedras, aos rostos. Mas levava, sempre, a esperança de, novamente, ser locutor da Rádio Marconi, do alto falante da rodoviária, trabalhar vendendo tecidos na Riachuelo. Como seria bom, outra vez, vender carambolas da Portuguesa, convidar o Zé Ferreira pra tomar banho no Rio Burrinho, engraxar sapatos…

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