Uma palavra de despedida, apenas: ontem

Publicado em: 18/11/2012

Parece que foi ontem. – Seria melhor arrumarmos, pelo menos por enquanto, um quarto pra você morar. Esconder a gravidez dessa forma não vai ser possível por mais tempo… Os sonhos eram demais. Um castelo de areia estava se formando. Mas foi bom, correndo, subir todos os dias, aquela escada que rangia. Era até bom o cheiro de mofo… Lá dentro do quarto – com cadeado na porta – a forma de tudo. Numa só peça a cozinha, o quarto, a sala… Banheiro coletivo no corredor. Um dia ela descobriu que a cama emprestada pela dona da pensão tinha bicho. Percevejos antigos, na antiga cama de campanha. A dona da pensão era gorda e feia. – Eu vim receber os oitenta contos do aluguel. Já está muito atrasado. Ele não tinha. No outro dia: – Meu bem… Paguei o aluguel. Fiz um vale no emprego. Como era bom aquele patrão! Será que ela tem alguma coisa com ele…? Começou cedo o ciúme. Doentio ciúme, que um dia o mataria, sufocando o amor. – Meu bem… Não tem açúcar. O café está amargo.- Mas por que você não disse antes? Assim eu não teria comprado outra coisa. E agora, o que faço com esta merda? Você pode estar matando o amor e não sabe. E ele não sabia que estava morrendo.

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