Uma palavra de despedida, apenas: rosas

Publicado em: 15/07/2012

Qual das lembranças antigas é frito da imaginação…? Imaginação do menino que teve medo da mulher gorda, da mulher magra, de todas as mulheres, da mãe que se foi no início da vida dos filhos que ficaram… Quais as lembranças verdadeiras… Impossível colocar em ordem, marcar o limite. – Rápido… Gaze… Agulha… Onde deixa aquela lembrança de ser sonho, livros antigos quase decorados, e começa a realidade…? Tenha raízes no cérebro ou no coração, essas lembranças serão revividas. E depressa! Não há mais tempo. Os marcos da sua vida terão formas. Definitivas? Talvez. Olha para as mãos cansadas em tentar segurar os bons momentos. Num desejo de repassar tudo outra vez, ver onde as falhas mais graves não sanadas, onde os seus lábios insatisfeitos de beijos culpados transformaram a fome de amor de amor em blasfêmias ou rimas de amor que jamais existiram…? – Clorofórmio…

Sempre fora rebelde a toda forma de silêncio, cuja vida sempre foi combatida pelo vento, vento que só veio em direção oposta…

Parece que foi há um século…

Queria morrer… O caminhão… O néon dando risada… Agora quer viver e reviver lembranças, rosas e espinhos de ontem que machucaram e fizeram sorrir…

Mas o tempo inexiste. Elevara-se – se é que se elevara – das mais ínfimas camadas populares, numa cidade chamada Echaporã.

Suas mais antigas recordações eram de um rancho feito de taipa – troncos de madeira roliça, fina, como coqueiros – talvez até fossem coqueiros cobertos de barro branco, com tabuinhas de madeira de terceira. Uma avó a tagarelar sobre os tempos antigos…

Uma irmã, cuja história de tão triste escondeu para si própria durante a vida toda…

O pai com o coração maior que o bom senso…

A mãe já havia partido para outras terras, com outros amores, com o filho menor…

 

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