Uma palavra de despedida, apenas: sofrimento

Publicado em: 12/08/2012

Quanta coisa eu faria, se tempo tivesse. O professor Polimeno teria que me ensinar novamente a matemática, sem uso das máquinas modernas… Máquinas que ele conheceu muito depois… Esqueça. Dá-me, hoje, a impressão – pela falta de rostos amigos e interessados na minha vida – que eu cobri de luto as esperanças dos outros, que eu levei o sofrimento às suas casas e que escrevi coisas que eles não entenderam, que pedi demais e pouco retornei. Dá-me, hoje, a impressão que bati palmas para a morte, que a enalteci, que festejei as desesperanças minhas e as dos outros, com a única intenção de sorrir sofrendo… Meus escritos – pobres escritos – entremeados de frases soltas de tantos autores que fizeram a minha cabeça – amarrotados papéis que vou passando a limpo, borrando a todos, falavam de muita fé, muito amor, ruas floridas do sul do país, de gente sorrindo… Mas detendo-me na corrida louca das minhas últimas horas, chego à conclusão de que fui um triste – muito triste – e que não acreditei nem mesmo naquilo que ia criando e esparramando, brigando com os verbos, os termos loucos, os pronomes fugindo a cada linha do lugar que a língua ensina colocá-los.

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