Uma palavra de despedida, apenas: Lágrimas

Publicado em: 11/08/2013


Não. Eu não quero que você chore. Uma voz, longínqua voz, vinda não sabe de onde, chama. Chama e eu irei. Fique. Não chore. Onde estiver, estarei pensando em você.

Talvez não resolva nada em sua vida ou em sua sensibilidade, mas fica a certeza de que pensarei em você, com muito amor no coração!

Morta a mocidade, só? me resta chorar lembrando… Enquanto o pranto aflora em minhas pálpebras, um desfile de mortos começa…

Enquanto o coração fala de saudade e punge e chora também, os mortos, desaparecidos amigos de outrora, desfilam acenando um adeus, ou um chamado…

Uma cascata de lágrimas dos olhos dos mortos, com pena de quem está vivo para recordar…

Eu sou, hoje, meu melhor amigo. Por isso não me censuro, não brigo comigo, somente me dou alguns conselhos básicos: goste de todas as pessoas, porque todas têm alguma coisinha boa. Até as feias! As gordas ou as magras.

Muitos amigos meus morreram sem conhecer a felicidade de ficar velho, a liberdade de ser velho, andar de ônibus de graça, pagar meia entrada no futebol e no show do último dos Beatles.

Posso dormir até meio-dia porque fiquei no computador até as três. Gosto tanto do computador que até entrei na Faculdade pra cursar TI, Gestão da Tecnologia da Informação. Danço com Dalila. E danço até twist que também foi da sua época.

Seu eu quiser chorar vendo um filme, eu choro. Ganhei o direito de fazer o que eu quero fazer. Não me importo quando os jovens ocupam o meu lugar no ônibus ou na fila da lotérica, falam da minha roupa ou não gostam das músicas que canto e toco ao violão. Eles, também, vão envelhecer.

Eu me recordo somente das coisas importantes pra mim. Se esqueço das outras coisas não é por Alzheimer. É porque coisas ruins não devem ser lembradas.

É lógico que muitas vezes sofri com um ente querido morto e, daí me lembro pra rezar por ele. Quem não sofre por isso, até pelo cachorrinho que morreu em seus braços, não conhece a alegria de ser imperfeito, ao ponto de se importar com esses fatos.

Meus cabelos grisalhos são uma bênção, meus risos estão gravados nas rugas do rosto – que poderia ser muito mais e não houvesse gargalhado bastante.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, afirmo: gosto de ser velho. Eu gosto da pessoa que me tornei.

Eu não vou viver para sempre, somente até completar 104, como me programei faz tempo. Enquanto a grande data não chega, não vou perder tempo lamentando porque não fui outra pessoa ou me preocupar com o que virá ainda. E eu vou comer sobremesa todos os dias.

Quero dizer só? mais uma coisinha, aproveitando o meu direito adquirido de dizer o que penso: os dirigentes públicos bem que poderiam respeitar um pouco mais os idosos, os maduros, os jovens, as crianças – depois e antes de nascer. E nem precisa de mais uma Lei. Lei tem até demais. Só falta cumprir e fazer cumprir a Lei.

Mas você sabe por que eles não nos respeitam como deveriam ajudar? Porque se chover no dia das eleições, eu e você não vamos votar.

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