Uma profissão que merece reconhecimento

Publicado em: 08/11/2009

*Francisco Djacyr Silva de Souza

O locutor de rádio, também chamado de radialista, tem um dia a ele consagrado promulgado pelo presidente da República em homenagem ao nascimento do grande Ary Barroso, que pontuou como um dos nomes mais importantes do rádio.

A data em questão é o dia 7 de novembro (Diário Oficial da União, 25 de julho de 2006 – Lei número 11.327, de 24 de julho de 2006) quando os profissionais do rádio deverão ser reverenciados por uma profissão tão digna e tão bela que lida com um dos direitos mais importantes do ser humano: a comunicação. O momento, porém, é de questionamentos acerca de como vivem radialistas neste país onde o direito do trabalhador em comunicação é vilipendiado de forma vil através de situação de desregulamentação do trabalho e por mecanismos de desvalorização profissional dos que trabalham em rádio.

É público e notório que viver de rádio é muito difícil, pois como forma de não garantir empregabilidade do setor, os supostos proprietários de rádio criaram o sistema de arrendamento que faz com que os que fazem rádio sejam obrigados a vender publicidade ou até a se submeterem a grupos políticos para poder sobreviver. A proposta de arrendamento é, no mínimo, absurda, pois faz com que o radialista não tenha tempo certo de trabalho nem determinação da duração do programa, que dependerá exclusivamente do humor de alguns empresários que geralmente não se dão conta da penetração e da importância do programa de rádio.
 
Cerceamento da liberdade de expressão
 
Outro elemento cruel da profissão de radialista é o fato de muitos amargarem situação de total dependência de ações, às vezes esdrúxulas, dos concessionários que, na ânsia exclusiva de lucro, vendem seus horários a grupos religiosos, políticos e a grandes redes sem se preocupar com a empregabilidade de seus profissionais, que são apenas comunicados das mudanças e terão de amargar o fim do contrato e a busca de outro prefixo para desempenhar seu trabalho. Os usuários da comunicação não terão poder de escolha e apenas saberão das mudanças quando tentarem sintonizar suas rádios e verificarão que seu radialista preferido não está mais ali.

No bojo da crueldade com os radialistas está o cerceamento de opinião. Em alguns casos, tivemos assassinato de radialistas que não agradavam aos inúmeros grupos de poder e tiveram a vida ceifada por emitir suas opiniões e por estar ao lado do povo. No caso dos políticos, o “assassinato” é promovido com a não liberação de verbas publicitárias ao programa de rádio que critica os governos. A verba publicitária é usada como cerceamento da liberdade de expressão. Onde estão os direitos humanos?
 
A verdade e a ética como lemas
 
Outro problema sério da classe de radialistas é a falta de união, pois muitos radialistas só olham seu lado e o sucesso de seu programa sem se preocuparem com a situação dos colegas de profissão, não aglutinando forças para promover a organização de classes a serviço da melhoria da profissão, do reconhecimento profissional e por garantias trabalhistas para os que fazem rádio. O sindicalismo no meio radiofônico é muito fraco, não só pelo afastamento dos dirigentes sindicais dos profissionais de rádio como da própria consciência da categoria em busca de direitos reais e legais da profissão.

Os radialistas enfrentam também o desprezo das outras mídias que preferem apostar na decadência do rádio e esquecem que o mesmo é o trampolim exato para o alcance de outros meios de comunicação, pois o bom profissional de rádio é, com certeza, bom profissional da televisão e de outros meios de comunicação. Notamos um desprezo da classe jornalista pelo radialista talvez pelo fato do mesmo ser concorrente em termos de regulamentação da profissão e pela própria falta de uma formação que coloque o rádio como evidência e como elemento vital na comunicação de massa. É urgente que outras mídias procurem valorizar o rádio, que será sempre o “pai da comunicação”.

Mesmo com todos estes percalços, acreditamos que o radialista terá sempre lugar no coração de seus ouvintes, pois sua comunicação versátil, imediata e viva será sempre reconhecida pelos usuários da comunicação, que sabem do valor deste profissional que entra nas casas das pessoas e traz paz, alegria, reflexão e, sobretudo, dignidade no exercício de uma profissão que tem antes de tudo a verdade e a ética como lemas fortes firmes e verdadeiros.
 
(*) Vice-Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará

1 responder
  1. Mauricio Silvestri says:

    Muito bem elaborado o texto, do caro colega Francisco, colocando de uma forma muito feliz a real situação da classe dos radialistas.Há muito, que eu noto um grande preconceito dos jornalistas para com os radialistas, parecendo até, que nós radialistas somos todos analfabetos, sem formação, o que é uma grande mentira, até porque, hoje o rádio de qualidade exige grandes profissionais, todos bem informados, dominando todos os assuntos e completamente inteirados de tudo aquilo que o mercado solicita.O que eu gostaria de ver, é nosso sindicato realmente atuando, exigindo o registro profissional de todos, e não fazendo o que vem fazendo ultimamente…..descaso geral….com um SINDICATO FORTE, toda a nossa classe seria beneficiada e certamente seríamos mais valorizados.

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