Vai dar tudo certo, filho!

Publicado em: 03/03/2013

Eu me preparava para dormir pensando na lista de coisas a organizar antes da viagem, o tempo parecia escasso para tantas providências.  Foi quando o filho ligou: – Mãe, acho que não vai dar pra esperar a tua chegada. A bolsa rebentou... ele disse, com a voz travada. Corre pra maternidade, filho!, eu disse. – Tô nervoso, mãe… – Vai dar tudo certo, filho!

Não dormi aquela noite, nem poderia, meu neto nasceria em poucas horas. Eu queria estar lá, não só pela sua chegada, é claro, mas também para apoiar meu filho e minha nora, já que eles estão longe das suas respectivas famílias. Tentei rezar, mas a euforia me tirava a concentração e diversas vezes eu esqueci “o diabo da reza”, como dizia a minha vó. Vai dar tudo certo, filho! Vai dar tudo certo! Entre as lágrimas e o riso, repeti diversas vezes para mim mesma. Ao final, desisti de rezar e me entreguei à alegria, certa de que Deus entenderia meu coração.

Às 02h, a notícia tão esperada: – Mãe…Ele é tão lindo… Ele é tão lindo!, Meu filho repetia baixinho, quase sussurrando, – Ele é tão lindo! Naquele exato momento, pela magia própria da Vida, mudávamos todos, inexoravelmente: minha nora e meu filho tornavam-se oficialmente pais e eu me transformava em Vó Norma.

A expectativa era de que ele chegasse na semana seguinte, correndo o risco de nascer no aniversário do avô materno (07/02), no aniversário da tia Nina (08/02) ou no da vó Norma (09/02). A torcida era grande! Mas o João Antônio quis um dia só pra ele, o esganadinho. Tanto que ameaçou vir no dia 27 de janeiro, aniversário do tio João Felipe, mas só aportou nesse mundo às primeiras horas do dia 28, de modo a garantir a exclusividade.

Lá fomos nós, vó Clara (a mãe da Flávia, minha nora) e eu, correndo, esbaforidas, para o Recife. No aeroporto, eu pensei em pleitear a inclusão de uma nova categoria na prioridade de embarque: – Atenção senhores passageiros, dirijam-se ao portão de embarque. Terão prioridade os idosos, pessoas com crianças de colo, pessoas com necessidades especiais e “avós de primeira viagem”. A Clara me convenceu de que eles não entenderiam. Então desisti da ideia. Mas continuo achando que seria pertinente, dado o estado alterado em que nos encontrávamos.

O que posso dizer sobre o João Antônio? Ele-é-lindo! É tão liiindo! É tão liiindo! Independentemente de ser meu neto, acreditem, ele é lindo! Sei que eu devia dizer alguma coisa mais original, mais sábia, edificante mesmo, sobre a experiência de ser avó, mas vou ficar devendo. Até por isso não escrevi nada até agora, apesar de meu neto ter nascido há exatos trinta dias. Sim, meus amigos, João Antônio já está completando um mês! Eu, sinceramente, ainda não me refiz da experiência, continuo processando.

Dia desse alguém me fez aquela clássica pergunta: – É verdade que ser avó é ser mãe com açúcar? Acho que sim. Outro me disse que “o bom de ser avó é não ter a responsabilidade”. Acho que não. A verdade e que não sei bem. Talvez o bom de ser avó seja a oportunidade de repetir a experiência de amar, conviver e (ajudar a) cuidar de uma criança sem tanta ansiedade, sem medo de que as coisas dêem errado – na maturidade a gente sabe que muitas coisas vão dar errado porque o mundo é assim, porque nem tudo é como a gente quer, e porque pais e mães também erram, apesar das suas boas intenções.

Mas e o João Antônio? O João Antônio é lindo… É gostoso…  É cheiroso… É grudadinho… É… É… Um coiso! Mais do que isso, eu sinto muito, vocês vão ter que esperar um pouco mais. Pelo menos até ele aprender a me chamar de Vó – provavelmente “Vóinha”, como bom pernambucano que há de ser -, e a correr com os braços abertos para o meu colo e me encher de beijo. É o máximo que posso fazer, no momento.

Ass: Vó Norma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai dar tudo certo, filho!

 

Eu me preparava para dormir pensando na lista de coisas a organizar antes da viagem, o tempo parecia escasso para tantas providências.  Foi quando o filho ligou: – Mãe, acho que não vai dar pra esperar a tua chegada. A bolsa rebentou... ele disse, com a voz travada. Corre pra maternidade, filho!, eu disse. – Tô nervoso, mãe… – Vai dar tudo certo, filho!

Não dormi aquela noite, nem poderia, meu neto nasceria em poucas horas. Eu queria estar lá, não só pela sua chegada, é claro, mas também para apoiar meu filho e minha nora, já que eles estão longe das suas respectivas famílias. Tentei rezar, mas a euforia me tirava a concentração e diversas vezes eu esqueci “o diabo da reza”, como dizia a minha vó. Vai dar tudo certo, filho! Vai dar tudo certo! Entre as lágrimas e o riso, repeti diversas vezes para mim mesma. Ao final, desisti de rezar e me entreguei à alegria, certa de que Deus entenderia meu coração.

Às 02h, a notícia tão esperada: – Mãe…Ele é tão lindo… Ele é tão lindo!, Meu filho repetia baixinho, quase sussurrando, – Ele é tão lindo! Naquele exato momento, pela magia própria da Vida, mudávamos todos, inexoravelmente: minha nora e meu filho tornavam-se oficialmente pais e eu me transformava em Vó Norma.

A expectativa era de que ele chegasse na semana seguinte, correndo o risco de nascer no aniversário do avô materno (07/02), no aniversário da tia Nina (08/02) ou no da vó Norma (09/02). A torcida era grande! Mas o João Antônio quis um dia só pra ele, o esganadinho. Tanto que ameaçou vir no dia 27 de janeiro, aniversário do tio João Felipe, mas só aportou nesse mundo às primeiras horas do dia 28, de modo a garantir a exclusividade.

Lá fomos nós, vó Clara (a mãe da Flávia, minha nora) e eu, correndo, esbaforidas, para o Recife. No aeroporto, eu pensei em pleitear a inclusão de uma nova categoria na prioridade de embarque: – Atenção senhores passageiros, dirijam-se ao portão de embarque. Terão prioridade os idosos, pessoas com crianças de colo, pessoas com necessidades especiais e “avós de primeira viagem”. A Clara me convenceu de que eles não entenderiam. Então desisti da ideia. Mas continuo achando que seria pertinente, dado o estado alterado em que nos encontrávamos.

O que posso dizer sobre o João Antônio? Ele-é-lindo! É tão liiindo! É tão liiindo! Independentemente de ser meu neto, acreditem, ele é lindo! Sei que eu devia dizer alguma coisa mais original, mais sábia, edificante mesmo, sobre a experiência de ser avó, mas vou ficar devendo. Até por isso não escrevi nada até agora, apesar de meu neto ter nascido há exatos trinta dias. Sim, meus amigos, João Antônio já está completando um mês! Eu, sinceramente, ainda não me refiz da experiência, continuo processando.

Dia desse alguém me fez aquela clássica pergunta: – É verdade que ser avó é ser mãe com açúcar? Acho que sim. Outro me disse que “o bom de ser avó é não ter a responsabilidade”. Acho que não. A verdade e que não sei bem. Talvez o bom de ser avó seja a oportunidade de repetir a experiência de amar, conviver e (ajudar a) cuidar de uma criança sem tanta ansiedade, sem medo de que as coisas dêem errado – na maturidade a gente sabe que muitas coisas vão dar errado porque o mundo é assim, porque nem tudo é como a gente quer, e porque pais e mães também erram, apesar das suas boas intenções.

Mas e o João Antônio? O João Antônio é lindo… É gostoso…  É cheiroso… É grudadinho… É… É… Um coiso! Mais do que isso, eu sinto muito, vocês vão ter que esperar um pouco mais. Pelo menos até ele aprender a me chamar de Vó – provavelmente “Vóinha”, como bom pernambucano que há de ser -, e a correr com os braços abertos para o meu colo e me encher de beijo. É o máximo que posso fazer, no momento.

Ass: Vó Norma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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