Vale a pena recordar

Artigo publicado em: 11/08/2005

Na década de 50 as emissoras não tinham numerosas equipes, mas cada equipe era geralmente muito unida e decontraída. Nos momentos mais apropriados a brincadeira era uma constante. Das lembranças que guardo com especial carinho destaco a antiga Rádio Eldorado de Criciúma.
Por Agilmar MachadoAfinal, foi alí todo um difícil, porém promissor começo. O médico José De Patta era a liderança viva, sempre presente quando estava fora do seu consultório médico extremamente concorrido, especialmente por pessoas mais necessitadas que alí eram atendidas carinhosamente.

Era De Patta a figura central, juntamente com o mano Ariovaldo, que então desempenhava a função de gerente da emissora. Tempos bons e saudosos, mesmo ante as aperturas do dia-a-dia. De Patta foi, antes de mais nada, um idealista. Do pouco que lhe sobrava no final do mês, atendia às necessidades dos seus sempre queridos funcionários da sua rádio. De sua voz, antes de barítono, pouco restara. Mas, asssim mesmo, cantava. Como bom napolitano que era, a música (canzonetas) estava no sangue.

De Gino Bechi a Tito Schipa, ou de Caruso a Beniamino Gigli, cantava tudo. Nunca se furtou, quando o apelo era cantar. Nos programas de auditório, mesmo em meio a calouros inexperientes, abria o bico… e
fazia bonito. Viveu uma vida de sonhos, de fantasias, de otimismo, cultuando amizades sólidas, ouvindo, falando (como bom italiano) pelos cotovelos…

José De Patta foi uma figura que marcou indelevelmente nossa lembrança da velha Eldorado por dentro. A Eldorado que começava na estreita escadaria do Edifício Dom Joaquim e ia terminar na sacada do terceiro andar, onde, acima da nossa cabeça, a corneta de alumínio do alto-falante projetava o som para a praça Nereu Ramos.

Fumante inveterado, De Patta “demolia” um maço de Elmo liso em poucas horas: deixava um cigarro, pela metade, queimando no cinzeiro e, distraído, acendia outro. Durante um certo período aproveitou para mandar buscar cigarros no Café Rio, no térreo da Eldorado. Eu era, geralmente, quem desempenhava a função de ir lá buscar o cigarro. Para não complicar, quando não tinha trocado mandava pôr na conta do Ariovaldo. E assim foi por muito tempo.

Eu, a Negra (Darcy Rovaris, depois minha cunhada,  esposa do Ariovaldo) e o Aristides Madeira (sonotécnico) eramos fumantes…e, invariavelmente. “quebrados”. Encontramos uma forma fácil de fumar sem precisar apertar economias: passamos a comprar Elmo liso, no Café Rio, na conta do Ariovaldo.

Assim ficava tudo numa conta só e numa martca só, controlando-nos para não extrapolar…certa feita Ariovaldo desconfiou e foi até o Túlio, dono do bar, reclamar a quantidade de cigarros que estranhou!

O Aristides fumava um “mata ratos” chamado Big Ben e, ao invés de continuar no esquema do Elmo liso, seguiiu comprando Big Ben na mesma conta.

Além do esporro que levamos do Ariovaldo, restou-nos somente o consolo de catar as chepas do De Patta pelos cinzeiros da rádio… antes que o Carlinhos Lacombe cuspisse nelas, de sacanagem…


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