Vamos convocar uma Indaba?*

Publicado em: 16/03/2013

Estou sinceramente preocupado com os aborígenes da Ilha Encantada, também apelidada Ilha da Magia. São contradições íntimas quando penso em agilizar alguma solução. É comum e quase diariamente, parece que por coincidência, encontro antigos alunos, ex-escoteiros do mar e antigos vizinhos dos lugares onde vivi: Rua Duarte Schutel, Trindade, Rita Maria e Estreito. Isso sem falar nos meus queridos praieiros do Pântano do Sul, Armação, Lagoa da Conceição, Retiro da Lagoa e por aí vai.

É doloroso. Chegam-se a mim e com olhos embaçados pelos desgastes do tempo me saúdam quase em estase: “Feijão!”

Olho espantado, aquele idoso e covardemente digo-lhe que por um problema de AVC não o estou reconhecendo…Eu sou fulano… teu Lobinho(do Emílio Cerri, corrijo). Sou teu aluno do Antonieta de Barros, turma do João Ary, Edgar…

Sou da Praia do Saquinho… Muito café cabeludo e bolinho de fubá vocês escoteiros fizeram para nós… E por aí vai a lamentação…

Então, faço uma analogia entre os nativos da Ilha Encantada e os aborígenes de outras bandas que aqui se acoitaram e hoje dominam estas terras.

Sinceramente, o estado de isolamento que os nativos da Ilha Encantada se impuseram dói e ao mesmo tempo reclama pelo espírito de solidariedade. Parecemos ratos de praia que se escondem uns dos outros, como se fossemos aqueles desterrenses de quatro séculos atrás que se escondiam nos morros e grotões, quando viam uma caravela despontar no horizonte.

Ainda bem que os nativos da Rua Dourada, a Duarte Schutel, sob a liderança de Mário Augusto Bayer, ainda se reúnem a cada três meses, para um almoço de saudades em um sábado. Mas é pouco.

Que tal nós, ex-escoteiros, convocarmos uma Indaba para um fim de semana, em abril (23 e 24),  Dia do Escoteiro, e começarmos um resgate do tempo?

*O termo “Indaba”, na língua Zulu, significa “Conferência Tribal”. (Wikipédia)

1 responder
  1. eno josé tavares says:

    MARAVILHOSOS “ZULÚS” RAÇA AFRICANA DE GRANDE CONTEÚDO HUMANO E CULTURAL
    Assim também a raça Masai – povo guerreiro, porém de muita cultura, nos legou o “Passo escoteiro”, ou seja, em suas observações, quando servia no Exército Colonial Inglês, Baden Powell, espantado com a surpreendente capacidade do povo Masai em se deslocar nos territórios que ocupavam, descobriu por exemplo, que esses famosos guerreiros adotavam a corrida sincopada: quarenta passos andando e quarenta correndo, em um rítmo razoável.Tais povos, como outros povos primitivos, sempre buscaram a construção de uma Casa comunal, onde esse povo se reunia para suas assembléias, comemorações, rituais religiosos e outras presenças de Multidões. Aqui no Brasil, as malocas indígenas tem suas ocas que se parecem com essas Indabas ou Endabas (depende da pronúncia), mas que no conteúdo, guardadas as devidas proporções, têm o mesmo objetivo: reunir seu povo nos momentos de alegria ou de dificuldades… O importante é que precisamos resgatar aquela alegria das décadas de 1950 ou 1960 quando participávamos de a atividades bem simples, porém aconchegantes, entre nós, garotos daquela época… Os clubes tradicionais se foram… As sedes escoteiras parece que são lacradas em si mesmas, e nós, velhos irmãos escoteiros, velhos amigos e conterrâneos, estamos nos diluindo aleatóriamente… Quem sabe, seja esse o sinal para que comecemos gradualmente a realizar encontros em nossas casas. Na minha casa, por exemplo, posso recepcionar uma média de vinte companheiros, suas esposas. Vamos lá?

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