Vera Fischer

Publicado em: 22/05/2012

Algumas (e abalizadas) opiniões em torno da eleição de Vera. Professor Alcides Abreu: levando-se em conta os fatores conjunturais houve uma reversão de expectativa que possibilitou a vitória de Vera no Maracanãzinho. É óbvio que uma simples análise socioeconômica concluirá pela identificação da massa assistente com a imagem catarinense de simplicidade. Isso, assinale-se, é resultado da informática crescente e abundante. Não vai aqui nenhum enfoque crítico, mas apenas a constatação de que essa imagem, sem embargo, serviu como instrumento catalizador de opiniões. Em síntese: foi a causa da estruturação da vitória.

Jali Meirinho: o importante é a rosa.

Caruso: … e aí eu apresentei um projeto concedendo-lhe o título de cidadã de Florianópolis. Houve algumas discussões iniciais, perfeitamente compreensíveis. Um nosso eminente colega achava que o termo exato era cidadoa, mas depois de consultarmos o dicionário houve impressionante unanimidade.

Yara Pedrosa: A Dadá adorou e a Dadá falou, tá falado.

Raul Caldas Segundo: Vou-me  embora pra Passargada, lá sou amigo do rei.

Celso Pamplona: … eu estava acompanhado de um casal amigo quando vi a Verinha ganhar. O casal acharam ela maravilhosa, ma-ra-vi-lho-sa!

Dorival da Silva Lino: Sou contra.

Jali Meirinho: O importante é a rosa.

Zury Machado: …aliás eu já tinha visto Vera jantando no Querência, muito bem acompanhada.

O Prefeito: A Grande Florianópolis permitirá um planejamento integral e integrado que Blumenau já realizou a algum tempo. É um esforço comunitário de grande significação e Vera é um produto do esforço comunitário. Eu sempre disse que a comunidade…

Fúlvio Vieira: Se, pelo menos, ela fosse do Flamengo, mas é vascaína…

Jali Meirinho: O importante é a rosa.

Marcílio Medeiros, filho: Saímos do trivial variado e, durante um ano, teremos Miss. Faltando matéria no jornal vai ser mole: taca uma foto da Vera que o Sérgio garante a legenda.

Doutor Cleones: Cumpriremos rigorosamente o cronograma. Quando Vera voltar de Miami, a ponte estará inteiramente asfaltada.

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Que fila era aquela

Na hora da janta?

A fome era tanta

E a fila comprida,

Sofrida, sem pressa.

Que fila mais triste

Na hora da janta.

E o guarda?

Que guarda?

O guarda que guarda

A fila da ponte

O guarda não estava.

Também, não podia

Domingo não é dia

De pescaria?

E a fila?

Quem cuida da fila?

Da fila comprida,

Sofrida, sem pressa?

É buzina tocando,

Criança chorando,

E dente rangendo,

A fome apertando

Na hora da janta.

E a fila não anda.

É carro chegando,

E freio cantando,

E gente berrando,

E chuva caindo,

E farol apagando.

E a fila não.

E o guarda?

Que guarda?

O guarda que guarda

A fila da ponte.

O guarda não estava.

Não era domingo?

Pois era domingo

E guarda não tinha.

Estava na barra

Matando tainha.

E a fila?

Quem cuida da fila?

Da fila sem graça,

Que chata não anda,

Não sobe nem desce

Nem anda nem passa.

Adolfo Zigelli. As soluções finais. Florianópolis: Editora Lunardelli, 1975. Esgotado.

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