Versatilidade, talento e competência

Publicado em: 07/09/2011

Versatilidade é a palavra-chave para definir os profissionais do radio. Um dos melhores exemplos desse tipo de profissional foi o radialista paranaense Jacinto Cunha, considerado como o mais completo entre seus colegas da Rádio Clube Paranaense e um dos primeiros a falar no microfone da emissora. Começou como locutor quando os estúdios ainda eram no Alto de São Francisco. Poucos como ele atuaram  em tantos setores diferentes. Jacinto Cunha foi locutor, discotecário, programador, cantor, cronista esportivo e “crooner” da Orquestra Manon onde se apresentava com o pseudônimo de Carioca.

Dedicou sua vida  à Rádio Clube onde chegou a diretor geral, cargo que exerceu por 38 anos. Foi locutor exclusivo da emissora, a vida toda. Criativo e ousado inventou vários programas de auditório, iniciou a fase das novelas. Mostrou ousadia e determinação quando programou a primeira transmissão de um jogo de futebol. Com equipamentos muito precários para irradiar um jogo que começaria ás 14 horas e sem conseguir levar o som até os estúdios, no horário previsto, iniciou a transmissão às 16 horas. A partida ficou com seu início suspenso durante duas horas aguardando.

Na sala onde trabalhava havia uma sacada onde os artistas que se apresentavam no auditório, costumavam aparecer para o público que ficava na rua. O auditório tinha capacidade de público muito reduzida e nos dias de apresentação dos grandes cantores de fama nacional, havia mais gente no lado de fora do que dentro. Nessas ocasiões os artistas surgiam na sacada da sala de Jacinto Cunha para cumprimentar o público da rua.

Gostava de tratar com especial atenção todos os profissionais que atuavam na emissora que dirigia. Os cantores que vinham do Rio de Janeiro e São Paulo, ao término dos programas eram convidados para um jantar no “Vagão do Armistício”, onde Isaac Lazzarotto, pai do gravurista Poty Lazzarotto, recebia os famosos clientes com fidalguia. Nessas ocasiões Jacinto Cunha já contava com a companhia de seu filho, Mário Celso Cunha que aos seis anos de idade dava sinais de que seguiria a profissão do pai.

(do livro Sintonia Fina – JamurJr)

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