Violência contra mulher: Estado do RS lança Observatório

Publicado em: 16/10/2013

selo-apontamentosNo período que abrange janeiro de 2011 até agosto de 2013, o Rio Grande do Sul registrou mais de 170 mil casos caracterizados como de violência contra a mulher. Segundo dados oficiais dos nossos órgãos de segurança foram 116.092 ameaças (a violência psicológica é, talvez, das piores formas de tortura e seu estrago é profundo), 69.947 casos de lesões corporais, 3.086 casos de estupros e 206 assassinatos.

O que acham disso? Nós, gaudérios, estamos batendo pra valer, é ou não é? Quer dizer, uma realidade brutal que absolutamente nada possui para nos orgulhar ou para servir de exemplo para alguém. Temos sido ciosos em falar de algumas de nossas virtudes (em geral característica do país), mas temos agido como parcimônia (e isso também é da índole dos brasileiros) quando se trata de algumas mazelas; e, com certeza, a violência de gênero está entre as questões horríveis que relutamos em falar e enfrentar.

Os números da triste estatística, óbvia e infelizmente, não são exclusividade nossa, algo típico apenas cá dos pampas, mas isso não quer dizer nada, não reduz nossas responsabilidades. Sim, o sueco bate na mulher, o francês bate, o africano bate também, o americano idem, do mesmo modo que o carioca, o português e o boliviano, mas isto só confirma que a tragédia é universal e que, em decorrência, a reação deve ser total.

Diante dos terríveis números gaúchos o Governador Tarso Genro resolveu dar outro passo visando enfrentar problema tão grave e complexo. Criado pela Divisão de Estatística Criminal da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, o Observatório da Violência contra a Mulher foi lançado dia 10 de agosto com o objetivo de realizar o levantamento e análise de índices relacionados à questão. Os dados sobre a violência de gênero entre nós serão atualizados diariamente e as informações repassadas toda semana para a Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias e Superintendência de Serviços Penitenciários para que ajam em situações de risco.

Para o secretário de Segurança Airton Michels, o observatório “vai permitir que o Governo crie novas políticas públicas e ajuste as que já existem para obter resultados cada vez mais eficientes na proteção à vida das mulheres”.

Não é tarefa fácil (devemos reconhecer para não cair no desânimo), vamos demorar muito para criar efetivas condições para que tenhamos forte eficiência na eliminação da violência de gênero, mas qualquer medida que vise enfrentar o problema – como essa que cria o Observatório – deve ser saudada com vigor.

Não poucos se perguntam: temos alcançando feitos extraordinários no campo da ciência, do conhecimento humano, algumas das nossas conquistas dão a impressão estarem no patamar dos milagres (ou dos sonhos), mas por que um número assustador de homens não consegue deixar o território a barbárie quando se trata do seu relacionamento cotidiano com a mulher?

Para não desanimar numa hora dessas gosto de citar a psicóloga paulista Tânia Pinafi: “A violência contra a mulher é produto de uma construção histórica, portando, passível de desconstrução…” Assim, nenhuma ação pode ser desconsiderada na hora de tratar da questão.

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