Visita Inconveniente

Publicado em: 10/08/2005

O locutor esportivo Lourival Budal narrava os jogos do Jec com tamanha emoção que era capaz de chorar nas transmissões, quando o time perdia, ou vibrar acintosamente nas vitórias. Sem dúvida era um grande torcedor do Joinville Esporte Clube.
Por Léo Saballa

Budal era alvo de gozação dos colegas pelo seu comportamento hipocondríaco. Sempre que viajava, levava uma pasta contendo centenas de remédios para as mais diversas doenças. Não ficava meia hora sem tomar um comprimido. Mesmo em hotéis de categoria internacional, Budal dava um jeito de colocar jornais embaixo da porta para evitar o “terrível” vento encanado, que segundo ele, era o responsável por muitas doenças. Reclamava constantemente de dores: gota, bursite, sinusite, enxaqueca, bico de papagaio, calo, azia e também todas as doenças de fundo psicológico.

Lourival Budal dedicava bastante tempo para alinhar o cabelo. Usava várias escovas, pentes, secadores, tinturas, xampus, cremes, laquê, gel e outros produtos especiais. Ele nunca se mostrou descabelado em público. Ostentava com orgulho os cabelos vistosos, destacados com um penteado, que não se desfazia nem com vento forte.

Quando morreu, o locutor foi velado na Catedral de Joinville. Amigos, radialistas, jogadores e diretores do Jec ou apenas ouvintes, foram prestar a última homenagem ao comunicador. Por volta das 4 horas da madrugada o locutor Osmann Lincoln, que estava em um bar próximo à Catedral, decidiu fazer uma pausa no consumo de cuba-libre e tropeçando nas pernas foi até o velório se despedir do colega.

Numa sala reservada para este fim, notou que apenas a viúva estava ao lado do caixão. Com a sensibilidade potencializada pelo efeito do álcool, Osmann ajoelhou-se e fez uma verdadeira cena teatral:
– Agora todos te abandonaram – gritou o radialista, ao mesmo tempo em que desalinhava o cabelo do morto.

A viúva, bastante assustada, tentava inutilmente conter as mãos do incômodo visitante. Depois de alguns minutos detonando o cabelo do morto e quase ter derrubado o caixão por duas vezes, o radialista decidiu voltar ao cuba-libre, para alívio da mulher, que foi obrigada a desempenhar a função de cabeleireira.


{moscomment}

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *