“Viva cada dia como se fosse o último…”

Publicado em: 28/01/2020

Viver, um verbo bom de ser conjugado, no presente, no passado e no futuro, e talvez um grande desafio da vida seja conjugar essa dádiva no presente.

O passado deveria ser visto apenas no “retrovisor da vida”, em especial os momentos em que erramos para evitar os mesmos erros. Já o “parabrisa” nos aponta o que vem pela frente, o futuro; tão real, tão próximo, tão imprevisível, tão incerto. Certo vez ouvi num desenho animado, destes que ensinam mais a adultos do que a crianças, que o presente não tem esse nome à toa – é o presente.

No carro da vida seguimos, ora pensamos e ora agimos por impulso e pagamos por isso. Ora vivemos de verdade ora vivemos o passado ou o futuro. Provavelmente quem tem saudades é feliz, afinal de contas sentir saudades é lembrar de pessoas e de momentos que nos fizeram felizes. Planejar o futuro é decisão inteligente, mas tem limites. Aqui completo a frase, pensamento, reflexão, tema da coluna desta semana: “Viva cada dia como se fosse o último, um dia você acerta”. Mário Quintana, poeta, jornalista e tradutor (1906-1994). Só tomei conhecimento dessa intrigante frase pela voz do jornalista Mário Motta há alguns anos.

Não vou entrar na crônica/coluna na discussão de crenças religiosas ou espirituais; há aqui o respeito de pensamentos, opiniões e decisões. Claro que tenho minhas convicções espirituais, mas fico com a reflexão de Quintana na vida que ao meu ver – ainda é passageira, efêmera. Não há pobre ou rico; Intelectual ou analfabeto; orgulhoso ou humilde, que escape dela, a morte. Nossos pensamentos ora são maravilhosos e em outros momentos questionáveis, queiramos ou não. Por exemplo, muitas vezes ouvimos a frase: “Fulano morreu dormindo, não sentiu nada”. Perdão a quem perdeu alguém nessas condições, mas quem pode afirmar que ele não sentiu nada? Ou: “Esse tipo de abate de animais é humanizado, o animal não sente nada”. Quem garante? Já ia passando despercebido: “Se eu ganhar esse prêmio de milhões vou ajudar muitas pessoas”. Então deixe assinado e registrado em cartório.

O ponto ainda é a vida; como é maravilhosa. Consta-se que Mário Quintana nunca se casou nem teve filhos. Escolha sua, independente do motivo deve ser respeitada. Convenhamos, que momentos foram ou são os mais felizes da minha vida? Quando soube que seria pai ou mãe? Quando consegui adotar uma criança, um filho do coração? Foi uma viagem? Foi um sorriso? Um banho de mar? Um beijo ou abraço, senão ambos? A compra da minha casa ou apartamento? Seja lá o que for tudo é passageiro. No dia a dia somos bombardeados por notícias de astros do esporte, do cinema, de pessoas comuns, de nossos amigos e familiares, ou de uma doença que nos atingiu. Essa frase foi escrita há quase dois mil anos: “Hoje ou amanhã viajaremos para aquela cidade, ali passaremos um ano, negociaremos e ganharemos dinheiro; embora nem saibam qual será sua vida amanhã. Porque vocês são como uma neblina que aparece e depois desaparece”. A Carta de Tiago – 4:13,14. Bíblia.

Assim como os amigos leitores tenho refletido na vida. Confesso que não tenho medo de morrer ou falar em morte, que o diga quem lê minhas colunas. Porém confesso que as palavras atribuídas a Cazuza dias antes da sua morte me caem bem: “Morrer é um desperdício”. Há os que pensam diferente, respeito. A morte nos vem pelas doenças, acidentes, crimes, suicídio etc. Procurar viver cada dia com intensidade, não de irresponsabilidades, mas de saborear a vida, os momentos, o sorriso. A memória me traz outros comentários: “Eternizar um orgasmo”. Chico Anysio. E que tal essa: “Capitão Rodrigo Cambará quando pediu a sua esposa, Bibiana, que a escrevesse no seu túmulo: Sugou a vida até deixar o caroço”. Personagem de – O tempo e o vento, de Érico Veríssimo. Há algumas semanas com meus pais, minha irmã caçula e cunhado tive dias especiais. Um deles foi um belo passeio a cavalo do entardecer ao anoitecer. Depois passei alguns dias com meus pais, só eu e eles. Momentos que não vivi na infância e tenho agora aos 47; só uma espiada no “retrovisor da vida”. Há poucos dias, com um casal de verdadeiros amigos, desfrutei de momentos especiais na praia de Palmas. Como pode ser tão maravilhosa uma boa conversa, uma cerveja gelada, para quem gosta e pode; brincar como criança nas ondas do mar? Olhar e sentir a natureza. Sentir que a riqueza financeira nada tem a ver com a felicidade. Não digo que o dinheiro não seja importante tanto quanto necessário, mas nem tanto.

Chego ao último parágrafo lembrando uma frase do meu amigo André, historiador, amante da vida, da família e dos amigos; nem pedi sua autorização para usar seu nome aqui. Um dia ele me disse, ainda na cadeira do barbeiro, por isso mantenho o nome da coluna: “Quando morrer quero estar completamente lúcido, nem esse momento quero perder, a hora de fechar os olhos”. Senti em suas palavras que nem na hora da morte quer perder esse prazer – por ora acabou. Pergunto a mim e aos amigos leitores: Vivemos como se fosse o último dia ou deixamos de pedir perdão ou dizer eu te amo? O que faríamos se soubéssemos que temos não mais do que 24 horas de vida? Tanto as Escrituras Sagradas quanto o poeta Mário Quintana nos fazem refletir. Independente de qualquer coisa estamos numa mesma situação, então, que vivamos cada dia como se fosse o primeiro e o último, quanto ao último, talvez nem tenhamos tempo de percebê-lo. Vou procurar continuar conjugando o verbo viver no presente; no presente de cada dia.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *