Você lembra do Mazzaropi no cinema? Pois saiba que ele fez rádio

Publicado em: 24/02/2008

Todos nós certamente assistimos um dia um filme do Mazzaropi no cinema, ou, mais recentemente, em vídeo. Nascido em São Paulo, em 1912, ele personificava o “caboclão”,  matuto no andar e no falar, mas de uma esperteza a toda prova.
Carlos Braga Mueller

Na juventude, chegou a fugir de casa para acompanhar um circo. Curiosamente, no teatro, antes de lhe darem o palco, ofereceram-lhe uma brocha para pintar cenários. Mazzaropi contou em uma entrevista à revista Veja, em 1970, que se inspirou em Genésio Arruda para criar o seu tipo. Arruda foi o primeiro caipira do cinema brasileiro, ainda no tempo das cenas mudas.
Antes de ter sua própria companhia teatral, Amácio Mazzaropi precisou suar muito em circos, teatros e clubes, contando piadas para as platéias, que não cansavam de aplaudi-lo.
Tornou-se um nome bastante conhecido e em 1946 foi convidado por Dermival Costa Lima para trabalhar na Rádio Tupi de São Paulo, integrante das Emissoras Associadas.
Assinou contrato e o programa ficou oito anos no ar. Chamava-se Rancho Alegre e nele Mazzaropi contava piadas e cantava canções sertanejas, acompanhado de um sanfoneiro.
Choveram cartas dos fãs. Só na primeira semana foram 2.000 cartas.
Em 1947 as Emissoras Associadas (do jornalista Assis Chateaubriand) promoveram uma excursão a Minas Gerais: a Brigada da Alegria. E Mazzaropi pode sentir o carinho dos mineiros quando se apresentou nas rádios Guarani e Mineira. Estava consagrado nacionalmente! Graças ao rádio.
1950 marcou a inauguração da primeira televisão brasileira, a TV Difusora, Canal 3, de São Paulo, pertencente ao grupo Associadas. E como tudo na TV foi copiado do rádio, Mazzaropi, um dos convidados para o show de estréia, foi lá para fazer tudo o que já fazia no rádio, tornando-se o primeiro humorista da televisão.
E não houve como recusar: deram-lhe um horário todas às quartas, às 21,00 horas. A direção da Tupi lançava assim, também na TV, o programa que já fazia sucesso no rádio: Rancho Alegre, contratando o experiente Cassiano Gabus Mendes para dirigi-lo. Para contracenar com Mazzaropi foram buscar Geni Prado. Anos depois, Geni trabalharia em praticamente todos os filmes de Mazzaropi, interpretando a companheira do Jeca. A Philco, que fabricava rádios e televisores, foi a patrocinadora deste programa pioneiro.
Em 20 de janeiro de 1951 o ator participou também do programa inaugural da TV Tupi do Rio de Janeiro, Canal 6. E aceitou apresentar no Rio outro programa semanal, que ia ao ar às quintas-feiras à noite. Teatro, rádio, televisão… Mazzaropi fazia de tudo um pouco. E por causa da televisão foi descoberto pelo cinema.
A Cia. Cinematográfica Vera Cruz estava se instalando em São Paulo e prometia ser a “Hollywood brasileira”. Em 1952 Mazzaropi atuou em dois filmes da Vera Cruz: “Sai da Frente” e “Nadando em Dinheiro”.
Neste mesmo ano estrelou na televisão a novela sertaneja “O Meu Mundo é Aquele Rancho”, escrita pelo radialista Teixeira Filho. Em 1954 Mazzaropi assustou todo mundo quando saiu das Emissoras Associadas e foi para uma concorrente: a Rádio Nacional de São Paulo, para atuar em um programa que visitava os clubes e onde ele contava piadas, fazia imitações e cantava. O programa foi ao ar até 1955.
Em 1958 vendeu tudo o que tinha e fundou sua própria companhia de cinema: a PAM Filmes. Por essa época, talvez até para arrecadar mais caixa, excursionou pelo sul do Brasil. Em Blumenau apresentou-se no Cine Busch, em show que foi transmitido pela PRC-4 Rádio Clube.
Mazzaropi “estrelou” ao todo 32 filmes, quase todos disponíveis hoje em dia em DVD. Morreu no dia 13 de junho de 1981 e deixou incompleto o filme “Maria Tomba-Homem”, que certamente seria mais um sucesso!


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