Vozeirões do nosso rádio – Apresentação

Publicado em: 05/05/2012

O rádio como você sabe, depois da fase desenvolvida pelos cientistas no século 18 teve duas fazes marcantes: foi um instrumento bélico utilizado em campos de batalha na primeira Guerra Mundial e logo a seguir, como instrumento de apetites políticos de alguns poderosos de plantão, chegando às raias do paroxismo nos projetos de dominação imaginados (e postos em prática) por Goebbls alimentando os sonhos de poder de Adolf Hitler. Goebbls passou para a história como um gênio; Hitler continua sendo uma hecatombe. Mas, o rádio, como toda a técnica é, senão isenta, pelo menos imparcial. Lembre-se, por exemplo, que no alvorecer do século 20 o rádio se transmuda e aparece em forma de doces fantasias de espíritos menos bélicos e mais singelos, em forme de inocentes ondas eletromagnéticas que invisíveis acionavam galenas e fones rudimentares reproduzindo sons até então inimagináveis.

Nessa fase, que se poderia chamar de socialização do uso das ondas sonoras – na década de 1920 – o rádio, simples e singelo embalava os sonhos de intelectuais e curiosos com promessas de emoções que aguçavam o espírito inconformado do homem insinuando que seu alcance poderia ser ilimitado, no mínimo à grandesa da Via Lactea.

Assim foram se aperfeiçoando as transmissões de sinais eletrônicos, logo transformados em sons audíveis a ponto de se ouvirem vozes e mesmo acordes musicais emitidos de lugares indeterminados e instantâneos independente de distâncias e de condições atmosféricas, pelo menos em tese.

As primeiras organizações radiofônicas se fizeram em forma de clubes sociais que reuniam as pessoas interessadas nas sessões musicais, nos saraus e nos eventos sociais, religiosos e políticos preferencialmente da cidade geradora da programação. Seguiram-se as matérias de cunho informativo: de interesse público ou de determinados segmentos com a leitura de partes dos jornais nacionais.

Começam as apresentações artísticas ao vivo, os radiojornais com entrevistas e transmissões de eventos sociais e esportivos.

A presença do rádio estimulou o mercado das gravadoras que passam a incluir em seus casts exclusivos os principais nomes da música erudita e depois também popular brasileira. Esse movimento estimula também a realização de programas de auditório entremeando, música, humor e distribuição de prêmios.

Assim o rádio chega à maioridade, em 1932 quando o Governo Federal, sob a presidência de Getúlio Vargas, decreta que as emissoras podem ser remuneradas pela veiculação de propaganda comercial. Aí é história recente e de domínio público.

Em Santa Catarina a radiodifusão teve seus primeiros experimentos no final dos anos 1920 e firmou-se na década seguinte com a implantação da Rádio Clube de Blumenau, Difusora de Joinville, Difusora de Itajaí, Guarujá de Florianópolis, Catarinense de Joaçaba, Difusora de Laguna, Araguaia de Brusque, Mirador de Rio do Sul, São Francisco de São Francisco do Sul e Tubá de Tubarão, para citar apenas as primeiras dez.

Até 1950 o número de emissoras no estado estava em torno de 25. As da região da Capital – Guarujá, já mencionada é de 1942, a seguinte é a Anita Garibaldi de 1952, a Diário da Manhã de 1954, a Jornal A Verdade é de 1958 e a Santa Catarina é de 1962.

Aqui, então chegamos ao tema central desta e das próximas crônicas: Vozeirões do nosso Rádio. A sequência não obedece nenhuma ordem cronológica ou de valor. Tem apenas dois parâmetros: o período considerado vai de 1942 a 1962 e os personagens serão indicados voluntariamente pelos leitores deste site. Quem será o primeiro? Respostas para o autor no pé desta matéria.

2 respostas
  1. Roberto says:

    Gostei da ideia. É sempre bom lembrarmos de nomes que faziam quase que magia, para levar o rádio ao AR.

    Quem sabe, poderia-se iniciar com o Walter Souza.

    Uma sugestão, seria interessante contar se há herdeiros no rádio atual.

    Abraço Caros Ouvintanos

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