Vozes do rádio: Osvaldo Rubim

Publicado em: 12/10/2008

Na metade dos anos 50 do século passado as emissoras de rádio receberam para divulgação um “spot” (em acetato), com uma publicidade da empresa TAC: Transportes Aéreos Catarinense. Em Blumenau, a PRC-4, então a única emissora da cidade, recebeu a mensagem, para colocá-la no ar.


Se não me engano eram 60 segundos de locução, contando as vantagens de se viajar por aquela empresa aérea que, partindo de solo catarinense, percorria os céus do Brasil, supremo orgulho para todos nós! Alguém ainda lembra-se dela?

A voz do narrador era inconfundível: Osvaldo Rubim. Na verdade, o comercial era um texto apoteótico, valorizado pelo timbre característico de Rubim.

Se em Floripa, Rubim era super conhecido pela sua popularidade; no interior, nem tanto. Mas recordo, também, que sua voz foi usada em uma campanha eleitoral por determinado candidato. E então, um dia, Rubim passou por Blumenau e ficamos conhecendo sua imagem, rosto largo, enfeitado pelo bigodinho que era moda na época.

Fui encontrar recentemente dados sobre Osvaldo Rubim na internet, em uma página perdida (e recuperada) do “fala Mané”, que o inesquecível “manezinho” Aldírio Simões mantinha no ar. A matéria é de 2001.

Contratado por J.J.Barreto para atuar na então recentemente inaugurada (1954) Rádio Anita Garibaldi, o paranaense Rubim chegou a Floripa com experiência de ter atuado no Paraná e no Rio de Janeiro, o que lhe conferia status de “astro”.

Comandou programas de grande popularidade, entre eles “A Discoteca do Ouvinte” e “Um Tango à Meia-Noite”.

Aldírio relata que “em Florianópolis, com os dois programas que apresentava com a devida categoria, logo se identificou com o público em curto prazo de tempo, um especialista na arte de mandar recados ao microfone e fazer oferecimentos musicais.

Solidificou a sua amizade com a fina flor da rapaziada que comandava os bastidores da Praça 15. Durante o dia, após o término de seu programa matinal, tinha o hábito de freqüentar o Café Nacional, como se fosse uma vitrine para reencontrar os ouvintes e medir a sua popularidade. À noite, no entanto, costumava tomar outros caminhos; depois de “Um Tango à Meia-Noite” se alojava nas mesas de carteado.

E Aldírio também revela, na sua descontraída crônica de junho de 2001: “Rubinho tentava a sorte com o objetivo de descolar uma grana. Quando ganhava e o parceiro prometia pagar no dia seguinte, o radialista colocava em prática um método infalível para cobrar a conta.

Ao microfone da rádio Anita Garibaldi intimava o devedor: Atenção, senhor Farias. Favor comparecer a esta emissora para saldar a sua dívida comigo.”

Ah, tempos românticos e indeléveis do rádio ingênuo (mas nem tanto), que se fazia antigamente!

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