ZYK-9! Aqui Rádio Difusora Itajaí – 02

Publicado em: 26/08/2007

O convite para trabalhar no interior embora misturado com a possibilidade de fazer algumas coisas que eu vinha pregando ao longo de uma carreira iniciada em 1950 era um desafio paradoxal para mim.

Eu trabalhara nos últimos oito anos em grandes emissoras: Rádios Clube Paranaense de Curitiba, Diário da Manhã de Florianópolis, Guaíba de Porto Alegre e novamente Diário da Manhã. Isso não me deixava em paz. Era a vaidade brigando com a razão.

Depois que terminei o expediente na Diário, no trajeto da Praça XV a rua José Boiteaux, no sopé do morro da Cruz, os pensamentos bailavam mais do que os solavancos do coletivo. Não lembro como comecei a conversa com a Preta. O fato é que em poucos minutos tínhamos um balanço contraditório: de um lado a chance de realização profissional e melhor ganho financeiro e do outro o grande transtorno familiar que representava a transferência para uma cidade desconhecida para nós.

Nós vínhamos de uma experiência difícil. Quando resolvemos viver juntos eu estava trabalhando em Porto Alegre e a Preta ficara muito sozinha num lugar em que não conhecia ninguém. Quando voltamos para Florianópolis, ela estava grávida de quatro meses e não fazia um mês que havíamos alugado uma pequena casa que acabáramos de mobiliar, comprando tudo a prestação. Felizmente havíamos descoberto que dentre as muitas coisas em comum que nos uniam uma delas era o propósito de dar certo. Isso foi preponderante. Ela confiava em mim e eu confiava nela.

Estávamos sintonizados e dispostos a enfrentar o desafio. E ele veio de imediato. O que fazer com os móveis e apetrechos de cozinha recém comprados, foi a pergunta. A resposta veio radical: não vamos levar nada para Itajaí. Vamos montar lá a nossa primeira casa de verdade. Fomos à loja Pereira Oliveira da Trajano, contamos o nosso plano e pedimos a compreensão deles. Saímos e lá com a primeira conquista: eles receberiam os móveis e demais utensílios de volta e nos dispensavam das prestações seguintes.

Foi um passo arrojado e ao mesmo tempo decisivo para o nosso futuro. Em menos de três meses eu dera três guinadas monumentais. Decidira interromper a carreira na Rádio Guaíba, voltar para a Diário da Manhã e estava sendo contratado para dirigir a Difusora Itajaí, sem ao menos conhecer a cidade.

Ainda bem que tudo estava se encaixando. A Rádio Diário da Manhã me dispensou do aviso prévio e assinou minha carteira profissional no dia 27 de maio. E a Rádio Difusora Itajaí me admitiu no dia seguinte: 28 de maio de 1959.

Enquanto a Preta cuidava da devolução da mercadoria em Florianópolis eu comprava na filial das Lojas Hermes Macedo de Itajaí a mobília completa para colocar na casa de número 100 na rua Uruguai, na terra onde nosso primeiro filho nasceu.

Telefonei pro Silveira – Estou instalado, gostaria de conhecer as instalações da rádio. E aí veio o primeiro e mais inesperado balde dágua: a rádio está fora do ar; deve voltar em uns quinze dias, aproveita pra conhecer a cidade.

Até semana que vem.


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