ZYK-9! Aqui Rádio Difusora Itajaí – 04

Publicado em: 09/09/2007

A pausa na Ilha foi vital para que eu reencaixasse aquele turbilhão de acontecimentos numa plataforma mais palpável. Estava acostumado às mudanças. Afinal, em menos de 10 anos eu saira do Rio Grande do Sul e trabalhara em Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. 

Mas esta mudança era diferente. Afinal, eu estava mudando de status profissional. Tenho relativa facilidade de adaptação a novos lugares, novos convívios e costumes regionais. Talvez por isso tenha pensado em uma maneira de me identificar o mais rapidamente possível com a cidade e sua gente. Então, me dei conta: preciso conhecer a história da Rádio Difusora – como começou, quem foram os pioneiros e como evoluiu até chegar ser “desejada” pelos atuais concessionários.

Rapidamente construí um mapa básico. A emissora desde a sua constituição tivera um forte vínculo com a história da cidade e dentre seus fundadores, dois ainda faziam parte dela: Dagoberto Alves Nogueira e Adolfo de Oliveira Júnior. Dagoberto embora tivesse transferido a concessão continuava na nova sociedade e Adolfo fora mantido como responsável técnico no novo projeto.

Juntos, Adolfo, Dagoberto e eu, reconstituímos o fio da meada. A Rádio Difusora Itajaí teve origem no serviço de som inicialmente acoplado ao projetor de filmes no cinema local e com os alto-falantes instalados na praça Vidal Ramos, em 1942. “foi uma curiosidade que me levou a experimentar”, lembrou Adolfo de Oliveira Júnior.

Dagoberto se interessou pela brincadeira e junto com Adolfo criou o serviço de alto-falantes Tabajara que passa a funcionar regularmente a partir de 1944. No ano seguinte é instalada a emissora que foi licenciada em 21/9/1945.

Até 1958, quando surgiu a Sociedade Rádio Difusora Vale do Itajaí, integrando a rede de Emissoras Coligadas, de Wilson Luiz de Freitas Melro, Caetano Deeke de Figueiredo e Flávio Rosa, a Rádio Difusora Itajaí reinou solitária.

A entrada de uma concorrente, com a experiência de radiodifusores qualificados como era do grupo blumenauense, sacudiu as bases da até então hegemônica Difusora. Isso fez com que representantes das famílias Konder Bornhausen e Miranda Lins – que desde o início acompanhavam a trajetória da emissora, viessem em socorro de Dagoberto e Adolfo que não dispunham de recursos para enfrentar o poderio de fogo das Coligadas que não se alinhavam à facção política representada pela União Democrática Nacional, presidida no estado por Irineu Bornhausen.

Feita essa leitura, o passo seguinte foi tratar da aproximação com as lideranças locais políticas, econômicas e sociais. Entrar como sócio na Sociedade Guarany, ir aos jogos do Marcílio e do Barroso, almoçar com dirigentes do Clube de Diretores Lojistas e da Associação Comercial, circular pelos melhores restaurantes e freqüentar as reuniões sociais promovidas pelo Sebastião Reis, o principal colunista social da cidade.

Nem tudo, porém, era festa. Nesse meio tempo eu cuidava de construir uma grade de programação para a nova emissora, formar uma equipe profissional com os melhores nomes locais e com alguns dos mais destacados locutores com os quais eu já trabalhara. E nesse particular eu contava com um trunfo que felizmente conservo até hoje: minha rede de relacionamentos no estado, no Brasil e entre colegas de emissoras internacionais como Voz da América, BBC de Londres, Rádio França Internacional, Rádio Canadá, sem contar os contatos com o pessoal de rádio dos paises vizinhos.

E tudo isso precisava ser feito com a maior brevidade, pois o prazo para a rádio retornar ao ar que no início me pareceu uma eternidade, agora parecia fluir como um relâmpago. Parei. Pensei: preciso ir devagar.

Até a próxima semana, então.
 


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