ZYK-9! Aqui Rádio Difusora Itajaí – 07

Publicado em: 01/10/2007

Itajaí, uma das maiores cidades catarinenses, em 1950 já era reconhecida como o maior porto pesqueiro do País e a porta de entrada para o Vale do Itajaí.

Começava no final dessa década a era das exportações e importações e a cidade se descobria como porta de entrada e saída de Santa Catarina para os cinco continentes. Os olhos de Itajaí há muito estavam voltados para o mundo. Pensei: – por aí é o caminho para chegar ao coração dos ouvintes. Tínhamos duas campanhas definidas e viabilizadas: uma premiando os ouvintes distantes que escrevessem para a rádio e a outra apresentando mensagens de profissionais e emissoras das principais capitais brasileiras e algumas capitais americanas, européias, africanas e até asiáticas, por nós já contatadas.

A primeira campanha, logo assimilada pelos anunciantes, foi para o ar com patrocínio. A segunda, considerada mais institucional e praticamente sem custo, foi absorvida pela emissora. Do ponto de vista estratégico a campanha dos ouvintes estava concentrada no primeiro mês a contar da reinauguração da emissora e a outra seria colocada no ar a partir do segundo mês associando-se à idéia de repercussão da nova ZYK-9 no mundo do rádio.

Os contatos solicitando mensagens de saudação foram feitos por telefone, telegrama e carta. Surpreendi-me com a rapidez dos retornos de confirmação e a chegada das mensagens gravadas em fita de rolo, velocidade sete e meio, padrão internacional. Agora era trabalhar para que a repercussão fosse além dos limites do âmbito de audiência da emissora.

No final de junho, após um mês de contratação, pude apresentar através ao microfone da Rádio Difusora Itajaí a programação que com Silveira Júnior e uma boa parte da equipe sonháramos realizar.

As cartas começaram a chegar na tarde do primeiro dia de funcionamento da rádio. Vinham dos mais diversos recantos do Vale do Itajaí e até de outras regiões do estado. A agência dos Correios de Itajaí teve seu trabalho aumentado a ponto desse repercutir na gerência geral do ECT em Florianópolis. O volume de cartas acabou gerando outra promoção: criamos o Clube Difusora com distribuição de carteirinhas que eram disputadas e exibidas não só pela garotada como também por muito marmanjo.

A repercussão da rádio fez crescer a expectativa de novos lançamentos e de outras ações de interesse da comunidade. Os jornais falados tiveram seus horários ampliados, as pautas e coberturas passaram a incluir temas até então tidos como tabu no rádio local: comportamento, cultura, folclore, música, teatro, sexo, educação, limpeza da cidade, serviços de transporte coletivo urbano e assim por diante.

Na última semana de julho intensificamos as chamadas para a campanha de repercussão da rádio “no Brasil e no Mundo”. Ao mesmo tempo a imprensa da região passou a noticiar – nem todos favoravelmente – o “fenômeno” de ressurgimento da mais antiga emissora da cidade. A revista Radiolândia do Rio de janeiro deu matéria de seu correspondente em Santa Catarina registrando o relançamento da rádio.
Passamos a informar aos ouvintes sobre a repercussão da sua rádio. Com isso, ele se sentia participante daquele sucesso e isso vibrava conosco.

Neste momento, é oportuno registrar a adoção de uma postura que nos ajudou a consolidar o reposicionamento da Rádio Difusora. Estabeleci como norma para todas as áreas que “aqui ninguém é melhor do que ninguém”. Portanto, é totalmente vedado usar slogans laudatórios – a Difusora é maior, nós somos os bons naquilo, nossa equipe é tal, nossa emissora é a mais potente – nada disso. No caso dos locutores, repórteres e redatores, o descumprimento da norma dava demissão por justa causa.

Se foi difícil segurar essa barra no primeiro mês, no segundo então ficou ainda mais complicado. A sensação do sucesso é inebriante. Quando lançamos as primeiras mensagens que recebêramos das emissoras e entidades contatadas, o telefone da diretoria do Banco INCO é que não parava de tocar. Há casos muito engraçados. Por exemplo: um cliente do banco e amigo das famílias Lins e Bornhausen, alertava para o perigo do excesso de exibição que estaria sendo feito – isso deve ter custado uma fortuna, argumentou.

Lembro daquele sorrisinho meio de lado, meio maroto do Silveira, tentando explicar que a repercussão era produto de relacionamento e não de compra de um serviço de puxa-saquismo.

Mas, o espanto do ouvinte não era despropositado. Quem poderia imaginar ouvir em sua emissora local mensagens vindas de lugares tão distantes?  Pois até o serviço de rádio da ONU – Organização das Nações Unidas estava se congratulando com cidade e os ouvintes da Rádio Difusora!

O espanto continuava com os cumprimentos da BBC de Londres, da Voz da América, de Washington (EEUU), da Rádio França Internacional, de Paris e da RAE – Rádio Argentina Al Exterior, da Argentina. Ou mesmo quando eram ouvidas na ZYK-9 as vozes de locutores famosos parabenizando os iatajienses em nome das rádios Nacional e Globo do Rio de Janeiro, Bandeirantes, de São Paulo, Clube Paranaense de Curitiba e Gaúcha de Porto Alegre.

Outro evento marcante nesta breve história do ressurgimento da ZYK-9 ocorreu dois ou três meses depois quando convenci o Silveira Júnior a produzir um programa de perguntas e respostas, gênero que depois ficou famoso no Brasil com O Céu é o Limite. Depois de uma semana, não mais, o Silveira estava com o piloto pronto. O programa se chamava Seis Pontos Valem Um Conto e a participação era por telefone.

No primeiro momento estranhei, mas logo entendi a lógica do experiente Silveira Junior – “as pessoas mais cultas ou bem informadas fazem parte da elite da cidade e eu acredito que não viriam a um palco de auditório se expor”, ponderou. Mas, por telefone… tentei argumentar inutilmente. Como apresentador do programa sugeri que fizéssemos um piloto fora do ar com pessoas pouco acessíveis – alguns “malas” notórios na cidade. O Silveira topou, convenceu quatro pessoas que teriam a função deliberada de dificultar ao máximo o andamento do programa.

Na noite teste eu tremia na frente do telefone no estúdio e eles deveriam estar pré-saboreando a lavada que iriam me dar. Tudo pronto para gravar, faço a primeira, a segunda, a terceira e a quarta chamada. Ao final do teste ligamos agradecendo a colaboração e participação e os convidamos para ouvir a audição de estréia na segunda-feira seguinte.

O programa ia ao ar das 20h30 às 21h00. Foi o maior sucesso de audiência para nós e a maior dor de cabeça para a Cia Telefônica Catarinense. O congestionamento das linhas era de tal ordem que travava a pequena central afetando o tráfego das ligações de urgência para hospitais e outros serviços públicos, obrigando a CTC a recorrer a soluções de emergência para aqueles 30 minutos de loucura.

Caro leitor, estas são algumas das muitas e agradáveis lembranças que trouxe dos colegas com quem trabalhei, do apoio dos concessionários que me contrataram, dos amigos que mantenho até hoje, do fato do nosso primeiro filho ter nascido em Itajaí, da garra com que a Preta conduziu o nosso retorno a Florianópolis e do Criador que me concede a oportunidade de contar estas memórias de um tempo em que aprendi que é acreditando que se faz e é dando que se recebe.

Por iniciativa própria e decisão ponderada, depois de exatamente um ano e um maravilhoso jantar de despedida de Itajaí, eu recomeçava na Rádio Diário da Manhã de Florianópolis para mais uma etapa de atividade profissional.


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1 responder
  1. jose de souza says:

    Caros amigos, gostaria de saber como faço a carteirinha de ouvinte da radio.

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