A casa do ódio

Publicado em: 19/10/2005

Em nossa caminhada nós tivemos acesso à novela A Casa do Ódio, de autoria de Osmar Silva. Os capítulos, num total de 20, foi nos cedido para fazermos cópia, pelo filho do autor Osmar Silva Filho.
Por Ricardo Medeiros

Acreditamos que trata-se da única obra completa do radioteatro de Florianópolis, graças ao zelo do descendente do escritor. Casa do Ódio foi feita, como dizia o próprio Osmar Silva na introdução da novela, muito mais para o povo, para o gosto popular, do que para os críticos literários.
A ficção foi ao ar no ano de 1958, período em que a Rádio Diário da Manhã começou a ser referência em termos de encenações radiofônicas.
Além disso descobrimos que a novela ía ao ar três vezes por semana, ou seja, terça, quinta e sábado. No entanto, não conseguimos precisar em quais meses o público ouvinte acompanhou este drama. O local e data desta história, contanto, ficou a critério de cada ouvinte, que pôde quem sabe imaginá-la numa cidade a 500 quilômetros da capital de um Estado, no tempo em que as carruagens gemiam nas curvas das estradas de chão.
A narrativa se passou numa Casa Grande, expressão que designava a propriedade dos senhores de engenhos ou de fazendas. Neste casarão, os corredores eram silenciosos e as paredes nuas tinham cheiro de mofo e umidade. O sótão… o sótão era fantasmagórico.
Ao ler este texto nós conseguimos trazer à tona alguns aspectos interessantes sobre a maneira de criação e desenvolvimento de um folhetim eletrônico. Osmar Silva não abriu mão neste trabalho de destacar as ações heróicas do mocinho, nem muito menos de sublinhar os atos maquiavélicos dos vilões. Para uma história atingir o seu público, composto principalmente de mulheres, o escritor incluiu na narrativa também um triângulo amoroso. No ítem suspense, no final de cada capítulo da Casa do Ódio uma determinada cena persuadia o público para no dia seguinte sintonizar novamente o folhetim. Osmar Silva igualmene refletiu em sua obra algumas regras da sociedade vigente, como era o caso da condenação do adultério feminino.
Em resumo A Casa do Ódio envolvia Henriqueta Sorel Vilanova, que casou-se por interesse financeiro com Cristiano, um fazendeiro de muitos bens, e com quem teve uma filha, Arlete. Com o tempo, ela começou a desprezar o marido e se aliou a Geraldo Castelar, seu amante e administrador da Casa Grande, para juntos ficarem com todo o patrimônio do marido. Assim sendo, Cristiano Sorel foi assassinado, bem como Joana Monteflor, que tornou-se amante do rico fazendeiro. No caminho da megera ainda estavam Eliane, filha do relacionamento de Cristiano e Joana, e Sérgio, sobrinho de Henriqueta. Apesar de todas as artimanhas dos vilões, o mocinho não foi morto, nem a mocinha, que disputava o amor de Sérgio com Arlete. Durante todo o folhetim eletrônico Sérgio Vilanova lutou contra as maldades da tia e de seu cúmplice, conseguindo enfim descobrir provas incriminadoras contra os dois. Sérgio descobriu uma carta que o tio deixou para ele onde se encontrava anexo uma cópia autenticada do testamento, que nunca tinha sido lido em juizo. Ele entregou o documento ao novo juiz da cidade-pois o antigo, assim como o tabelião foram subornados por Henriqueta-, que desta forma reconheceu os verdadeiros herdeiros de Cristiano Sorel. Os bandidos no final da trama morreram e a ex Casa Grande, ou A Casa do Ódio, deu lugar ao palacete dos Vilanova, que passou a ter dias de bonança e de alegria.


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