Agir por impulso

Publicado em: 08/05/2014

Quem já não ouviu falar de alguém que tenha reagido a um assalto? Ou talvez tenha fugido?

Autoridades nos incentivam a não reagir. Concordo. Porém, entendo que alguns que reagem o fazem por impulso. Em certa ocasião um famoso ator da Globo disse que estava em seu carro parado numa sinaleira. De repente aparece um homem e aponta uma arma, pede seu relógio, caro, de marca conhecida. O ator admite que num gesto impensado acelerou e deixou o ladrão para trás. Já outro ator, Gerson Brenner, talvez tenha reagido a um assalto. Até hoje vivi com as terríveis sequelas dos tiros que tomou.

Há poucas semanas durante uma entrevista na qual o repórter perguntava a sua entrevistada se ela não tinha medo de usar seu colar nas ruas da cidade, e nesse exato momento da entrevista um rapaz, talvez de menor, um ladrão, passou correndo e tentou arrancar seu colar. O repórter chegou a correr atrás do bandido por alguns metros.

Às vezes ouço duras críticas a quem reage a um assalto: “Melhor entregar de uma vez, a vida vale muito mais”. Volto a dizer; concordo. Mas acredito que a maioria dos que reagem o fazem por impulso, sem pensar. Talvez até haja quem reaja de sã consciência, mas devem ser raros.

Há poucos meses estava comprando cachorro-quente num desses carrinhos aqui mesmo na região. Apareceu um rapaz armado nos mandando entregar o dinheiro, carteira, etc.

Meu filho caçula na ocasião ainda com 13 anos manteve a calma. Sempre disse aos meus filhos que se algum dia ocorresse algo assim, era para manter a calma, não reagir, não gritar, não correr, não encarar o ou os bandidos, não tentar puxar conversa. Nessa noite do roubo meu filho, eu, o dono do carrinho e seu filho ficamos surpresos com a rapidez do bandido.

Eu já estava com a carteira na mão. Havia 90 reais, além dos documentos e talvez um cartão de crédito ou débito. Enquanto o bandido nervoso, impaciente pedia a carteira imaginei como seria se eu tentasse tomar a arma dele. Talvez um tiro pudesse ser disparado acidentalmente, alguém poderia morrer. Acertei em não tentar reagir, mas fiquei pensando em quanto tempo levaria para fazer os novos documentos. Esperei que ele tomasse a carteira da minha mão. Ele não pegou, roubou o filho do homem do carrinho e fiquei com a carteira na mão. Fui criticado por amigos. Por que não entreguei a carteira? Sei lá, em poucos segundos pensei no trabalho que daria tirar novos documentos naquele mês de dezembro, me arrisquei. Agi por impulso ou pensei? Não sei.

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