Entries by Paulo Clóvis

O mosteiro

Paulo Clóvis Quando li, na semana passada, a crônica de Katia Farret falando sobre como a expressão “Inês é morta” chegou aos nossos dias, me ocorreu descrever a sensação que tive ao me deparar, numa viagem a Portugal, com os túmulos de dom Pedro 1º e Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça. Diria um […]

São Sebastião

A frase é música para os ouvidos: “Quando Maria começou a falar me pareceu com muita saudade”. Tinha um quê de poético e era a síntese do que viria depois, porque Maria passou a contar como foram a sua meninice e juventude em São Sebastião, um bairro de Palhoça também conhecido como Cova Funda, próximo […]

Temporal

Paulo Clóvis Há quem suba o Morro da Cruz para ver a cidade, a silhueta das baías ou o pôr-do-sol na direção Oeste, nas montanhas do continente. Afinal, além dos casos, estamos no lugar dos “ocasos raros”, não é o que se diz? Porém, poucas coisas são tão impressionantes e recompensadoras quanto o privilégio de […]

Plantas e firulas

Paulo Clóvis Sempre suspeitei que as plantas têm mais sensibilidade do que nossa ignorância atribui a elas. Agora, descobri que os seres do mundo vegetal contam com formas primitivas de memória, raciocínio e aprendizado. Para quem não consegue matar um formigão, a revelação doeu um pouco. Será difícil, de agora em diante, podar aquela goiabeira […]

Mega-Sena

Sempre digo, embora ninguém me pergunte, que fujo na Mega-Sena por dois motivos: 1) não acredito na possibilidade de ganhar, e 2) não tenho vontade de ganhar. De fato, ter uma chance em 50 milhões é muito pouco para alimentar a ilusão de ficar rico naquela meia hora que dura o sorteio, geralmente cercado de […]

Padrinhos

Paulo Clóvis Querida, não é por causa do Natal, nem por conta do livro que estou mandando, apenas achei que era a hora de dizer algumas coisas. Você teve a sorte de herdar a inteligência e o extremo senso ético de seus pais, mas não escapou do azar de herdar, sem o direito de escolha, […]

O nome e o pito

Paulo Clóvis   Quando ela me chama pelo nome completo, é encrenca. Semanas atrás, descobri uma gata de tez parda no fundo da churrasqueira, avisei e ela apenas fez uma cara de enfado. Pouco depois, me chamou, quase no grito: “Antônio Ernesto!” Vira, no escuro do compartimento, um filhote ronronando, e eu sabia de sua […]

Rios noturnos

Paulo Clóvis  Do alto da pirambeira, diviso um rio que mistura pedaços deste e de outros rios, pequenos afluentes e caudais que se espraiam sem lógica, remansos e corredeiras, água em abundância, clara ou escurecida pela mata ciliar. A vista é deslumbrante, mas aterradora, porque um escorregão pode ser o fim de tudo. Uma senhora […]

Velhas canções

Paulo Clóvis* Amigo saudosista manda um link para “músicas brasileiras de todos os tempos e para todos os gostos”, sucessos de épocas distintas, que resistiram aos modismos e às empulhações que a indústria fonográfica nos impõe – e que, por isso, não se ouvem mais, a não ser assim, pela teimosia dos que remexem baús […]