Coisas do destino

Publicado em: 14/08/2011

Às vezes, a vida nos dá alguns sinais… Ora a gente os capta imediatamente; ora eles passam despercebidos; ora demoramos a compreendê-los. Na maioria dos casos, pecamos por acreditar que as coisas não sejam tão simples e diretas quanto aparentam. Isso aconteceu comigo há alguns anos, por conta de meu gosto musical: Sempre fui fã da dupla Simon & Garfünkel! Desde criança, nos anos de 1960, gostava de ouvir suas músicas, quase todas acústicas e com uma sonoridade fantástica.
 A habilidade instrumental de Paul Simon e os “passeios vocais” de Art Garfünkel tornavam suas músicas indispensáveis em qualquer discoteca contemporânea de qualidade. Mas, só dava para ouvi-los no rádio, pois meu irmão mais velho – que comprou o primeiro gravador da casa, no início da década 1970 – nunca gravou músicas deles. Da mesma forma, quando ele – já casado e de mudança para o Rio – deixou seu toca-discos para nós, meu pai preferia comprar gravações de orquestras. Além disso, ele nutria certa aversão pelo filme “A Primeira Noite de um Homem” (“The Graduate”, EUA, 1967). Como a trilha sonora era da dupla, “fiquei na saudade” por mais algum tempo.
 
Só comecei a “tirar o atraso” em 1975, quando comecei a trabalhar, aos quinze anos de idade:

Apesar de já economizar para a universidade, sempre separava “algum” para duas de minhas grandes paixões: cinema e música.

Quando encontrei o disco de coletânea da dupla – aquele em que eles aparecem com Nova Iorque ao fundo e Simon de boné – comprei-o no ato, como fora uma preciosa relíquia. Ainda o tenho!

Mal sabia eu que nele havia uma espécie de presságio…

Quem conhece a dupla lembra que eles raramente gravavam músicas “agitadas”, mas a última música do lado B do LP era especialmente ritmada e alegre. Tinha nome de mulher.

Às vezes eu ficava imaginando como era a musa que inspirara aquele “hit”… Devia ser igualmente alegre e bonita, daquelas que iluminam o ambiente onde estão!
Um dia, uma moça começou a trabalhar na mesma empresa que eu. Depois de algum tempo, surgiu certa afinidade entre nós e ela pareceu se encaixar no perfil que eu imaginava para a moça da música. Emprestei o LP para ela e, pouco tempo depois, começamos a sair…

Namoro relâmpago, pois deu tudo errado! Eu era tímido, inseguro e, para piorar, estava terminando a faculdade. Não sobrava um centavo para nada.
 
Em vez da música de Simon & Garfünkel, a trilha sonora estava mais para Taiguara: “Pra ser feliz na mentira, melhor que eu chore com fé!”. Para completar, ainda continuamos trabalhando juntos por algum tempo, com um clima nada animador, até que ela saiu… Só teve um probleminha: ela esqueceu de devolver o LP!
Fui buscá-lo, obviamente. Afinal, se livro, disco e mulher não se empresta, nada nos impede de resgatá-los. Ainda mais “aquele” disco!

Depois de formado, morei algum tempo no exterior, estudando. De certa forma, isto contribuiu bastante no combate à timidez e insegurança.
 
De volta ao Brasil, recomecei a trabalhar. A parte afetiva, no entanto, continuava morna e sem graça. Até que outra moça começou a trabalhar na mesma empresa onde eu atuava, no setor ao lado…

Usava óculos e, quase sempre, “rabo-de-cavalo”. Além dos atributos “anatômicos”, seu sorriso era especialmente radiante. Onde ela estava o ambiente ficava excepcionalmente mais leve!

Eu já estava de saída da empresa, mas, por força da interação entre nossos setores, começamos a conversar diariamente. E era muito bom!
 
As “pressões” de terceiros começaram, mas eu não me sentia seguro. A experiência anterior de relacionamento com uma colega não era de boa lembrança.
 
Um dia, não sei por qual motivo, lembrei do LP: aquela música tinha tudo – mas tudo mesmo! – a ver com a “mina”.

Perguntei se ela conhecia a dupla e, diante da negativa, lá se foi o vinil, em nova viagem.

Logo depois, saí da empresa, levando uma frase da música na mente: “… you’re breaking my heart!”.

Um dia ela me ligou, entre outras coisas, para lembrar que ainda estava com o disco.
Fui buscá-lo, mas, dessa vez não ficou só nisso, tanto que trago comigo, até hoje, as duas Cecílias: a da música e a mulher, que não partiu meu coração. Pelo contrário, o faz bater cada vez mais forte!

Coisas do destino…
 
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1 responder
  1. Carlos A says:

    A música ‘Cecilia’ também saiu em Compacto Duplo, e até hoje, não sei como passou pela Censura Fardada, pois há um verso avançado para a época: “… oh, Cecilia I’m down on my knees I’m beggin you please to come home …” Era tocar esta música e a festa arrombava… Ah, meus treze, que não voltam mais!

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