Continental: A Rádio Rebelde de Roberto Marinho

Publicado em: 02/12/2007

Uma idéia que nasceu em novembro de 2001, quando morava em Florianópolis, e começou a ser colocada em prática poucos meses depois, em um contato com Francisco Anele Filho. A idéia era escrever um livro sobre a Rádio Continental e encartar um CD com as gravações dos músicos gaúchos que a rádio produzia e rodava.
Por Lúcio Aeser

Àquela altura, eu sequer sabia se as fitas existiam. Poucas rádios preservam a sua história. Ainda mais uma emissora que havia mudado de administração e de programação em 1980 e trocado de dono em 1986.
Mas a história da Continental é especial. Monsieur Anele tinha as gravações dos músicos porto-alegrenses que rodavam nos anos 70 na Rádio Continental – 1120 AM – A Superquente. E ele se dispôs a abrir o baú. Graças, Anele. Graças também a Júlio Fürst, o Mr. Lee, – que foi o primeiro guardião das fitas – um importante capítulo da história da música de Porto Alegre está preservado.
E pode voltar a emocionar todos os ouvintes da Continental e ser melhor conhecido pelas novas gerações. Um CD será encartado no livro. Mas aqui no site é possível ouvir alguns áudios clicando no menu à direita da página inicial. São vinhetas da Continental e trechos de músicas. Também a Rádio Sem Fronteiras roda músicas do movimento gaúcho. É só clicar no seu player favorito. Além da história ligada à música de Porto Alegre, a Continental vinha, desde 1971, num embate com a ditadura militar.
Dirigida por Fernando Westphalen, o Judeu, a rádio coleciona punições, ameaças da ultradireita, e várias “visitas” são feitas por diretores e redatores à sede da Censura para explicações sobre os textos.
Uma história puxa a outra, e as entrevistas e buscas de documentos são feitas ao longo de cinco anos. Nas horas de folga , é claro, mais fins de semana e férias. Foram ouvidas 90 pessoas, algumas várias vezes. Até o momento final da entrega do texto para a editora, agora morando em Brasília, estava descobrindo coisas. Portanto, não é uma história acabada. Muito ainda há que se escrever sobre a Continental. Mas há muitas e boas histórias que justificam a publicação.
A mudança para Brasília foi providencial: aqui consegui documentos inéditos sobre a 1120. O arquivo do SNI sobre a rádio. Virei ouvinte da Continental no fim de 1972, com 13 anos recém-completos. Fazia um esforço danado para ouvi-la. Na região onde morava, pegava muito mal. O sinal era fraco, mas audível. E valeu muito a construção de uma antena.
Ao iniciar o trabalho, queria saber que fim tinham levado as gravações originais da 1120. Não me conformava com o fato de que nunca mais iria ouvir aquelas fitas. Enfim, assim como eu tenho as minhas lembranças da Continental, sei que milhares de outras pessoas têm as suas. Muito mais intensas, certamente.
Então é hora de conhecer um pouco mais estas histórias. De um tempo em que os jovens tinham “a sua rádio” com muito orgulho. Espero que gostem. Tanto quem conheceu como quem nunca ouviu falar da Rádio Continental de Porto Alegre. Foi o que sempre desejei durante a realização do trabalho.
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