Em edição extraordinária, Joelma em Chamas

Publicado em: 27/06/2006

Uma edição extraordinária é caracterizada pela difusão de um acontecimento importante que interrompe qualquer programação de uma emissora. De acordo com a repercussão, a rádio poderá se concentrar durante longo tempo no assunto enquanto houver novidades. É o caso do incêndio no edifício Joelma, ocorrido na cidade de São Paulo.
Por Ricardo Medeiros

O número 225 da Avenida 9 de julho foi palco das atenções em 1º de fevereiro de 1974. As estações deixaram de lado as coberturas previstas para o dia para se concentrar no fogaréu ocasionado  por uma sobrecarga elétrica que gerou um curto-circuito no sistema de ar-condicionado do edifício comercial de 25 andares.

Uma das emissoras que esteve acompanhando a tragédia foi a Joven Pan AM que às 8h55 entrou ao vivo do local, através de Milton Parron. O jornalista conta que foram doze horas de transmissão ininterrupta. Juntaram-se a ele outros colegas da rádio, uns inclusive que estavam de férias. Quase todos foram deslocados para guarnecer pontos estratégicos, como hospitais, departamento de trânsito, delegacias, IML e Corpo de Bombeiros, Gabinete do Prefeito e Palácio do Governo.   
No palco do horror, as pessoas tentaram se refugiar no telhado do prédio, onde a temperatura chegou a 100 graus.  O ouvinte Joelmo, às 10h30, ligou para a Joven Pan informando no ar que uma mulher encontrava-se pendurada numa janela do prédio em chamas prestes a se atirar.  Milton Parron colocou um fone de ouvido no Capitão Caldas, um dos oficiais dos bombeiros, que tomou ciência da situação. Detalhando tudo para a Joven Pan, o jornalista relembra que, em seguida, o Capitão orientou o sargento que operava a escada magirus para se dirigir até onde estava a mulher. O sargento ficou equilibrado no último degrau da escada conversando com a mulher e tentando pegá-la pelas pontas dos dedos. De repente a mulher despencou. A vítima caiu sobre o bombeiro e ambos rolaram pelos degraus. Estavam feridos, mas vivos. A multidão eclodiu em aplausos.

Milton Parron só deixou as imediações do edifício Joelma às 10 horas da manhã do dia 2 de fevereiro, depois de ficar mais de 24 horas em função da tragédia. E tudo começou com uma edição extraordinária num dia ensolarado de sexta-feira. O rádio cumpriu seu papel de veículo de informação e de prestação de serviço.

O resultado do incêndio foi assombroso. Oficialmente foram mortas 188 pessoas, dentre as quais 40 se suicidaram saltando dos vários andares. Uma menina de 15 anos pulou do edifício utilizando um guarda-chuva como pára-quedas.  O incêndio do Joelma provocou ainda ferimentos em 345 pessoas.


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