Estímulo

Publicado em: 24/02/2008

Recentemente a mídia internacional deu grande destaque para o assassinato de oito pessoas nos Estados Unidos, vítimas da loucura de um menino. O garoto deixou um bilhete para a família dizendo que “agora vou ser famoso”.
Por Jamur Júnior

O caso em questão coloca em evidência uma seqüência de outros atos malucos registrados com ampla cobertura da imprensa. 
A impressão que se tem é de que a noticia do fato estimula outros desequilibrados a praticar crimes com objetivo de alcançar fama. A mídia nesse caso tem sua parcela de responsabilidade na medida em que exagera na divulgação, com excesso de informações sobre o criminoso, destacando nome do pai, dos amigos da escola, da namorada, o que fazia quando menino, time favorito, tudo como se fosse realmente um grande astro e não somente um criminoso.
Há muito alguns jornais de circulação nacional, decidiram não noticiar casos de suicídio depois de terem constatado através de pesquisa que a noticia estimula pessoas com tendência. Este seria o caso dos Estados Unidos e de muitos outros registrados no Brasil onde jovens desajustados cometem crimes para aparecer entre os seus companheiros, amigos, colegas ou até comparsas quando já estão dando os primeiros passos no crime.
Há muito tempo em Curitiba apareceu um bandido que assaltava e comemorava no dia seguinte lendo a noticia de seu crime praticado no dia anterior. Depois de preso foi entrevistado na televisão e confessou que se sentia realizado quando via sua fotografia nas paginas dos jornais. Chacal, esse o nome pelo qual ficou conhecido, passou longo tempo cometendo seus crimes e curtindo a fama.
Não seria o caso da mídia fazer uma reavaliação sobre noticiário policial que hoje ocupa grandes espaços detalhando crimes e criminosos como se o assalto, o furto, o roubo, o seqüestro fossem as notícias mais importantes do mundo para comunidade?
Quanto perderiam os órgãos de comunicação se decidissem excluir de seus noticiários matérias sobre crimes? Mesmo que fosse muito em termos de audiência ou faturamento, seria pouco se forem considerados os benefícios que isso poderia trazer desestimulando novos criminosos e evitando que os tradicionais que lideram o crime organizado usassem os meios de comunicação para se promover e manter seu estatus de celebridade no mundo do crime.
 


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