HB 93: Blumenau era avesso à escravidão

Publicado em: 15/06/2011

O documento do Marquês de Abrantes foi mais abrangente. E uma das questões que irmanou as intenções e identificou as ideologias foi a repugnância pela escravidão. Assim também pensava o jovem Blumenau. A exploração do homem pelo homem já era, a seu tempo, uma questão rejeitada pelos humanistas e condenada pelas pessoas para as quais o lucro fácil, advindo dessa situação, era indigno. Ademais, o documento do representante brasileiro examinava, minuciosamente, todos os aspectos que afastavam os imigrantes do Brasil. E a mão de obra escrava representava peso dominante. Sugeria, por isso, a instalação de seis agências de propaganda do Brasil na Alemanha e Suíça, com destaque para Basiléia e Mannheim.

Entrar em pormenores desse documento seria uma repetição inútil, aqui, de muitos pontos abordados no Tratado de Blumenau. Embora a diversidade dos pontos-de-vista decorrentes da nacionalidade de cada um, o Marquês de Abrantes e Blumenau concordavam nas questões essenciais. E essa concordância é reveladora, desde logo, das  razões porque o jovem e idealista colonizador conseguiu conquistar a confiança de um estadista do porte do Marquês de Abrantes e, posteriormente, a confiança e a amizade de muitas personalidades de primeiro escalão do Segundo Império.

Blumenau era franco, honesto e justo – entre outras características de formação e comportamento – o que lhe permitia encontrar em personalidades com idênticos predicados a empatia tão necessária nas boas relações humanas como nas relações de negócio. Neste particular, aliás, existem autores que afirmam, categoricamente, ser uma consequência da outra. É claro que acontecimentos os mais diversos permearam o tempo de pesquisa e constatações do jovem Hermann. Tanto os bons quanto os maus, levaram-no a múltiplas transformações até o aprimoramento que a teoria indicou como apto para o ponto de partida das ações.

A seguir: fazia já dois anos que Blumenau tratava de arranjar meios para vir ao Brasil. Era chegada a hora!

 

 

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