NOSTALGIA

Publicado em: 20/11/2006

Na década de 50, auge da radiofonia brasileira, quando a Rádio Nacional do Rio de Janeiro lotava de alegria seu auditório e milhares lares através de suas ondas curtas, o samba e as canções de amor dominavam o repertório do cancioneiro nacional. Orlando Silva, Silvio Caldas, Francisco Alves, Ângela Maria, Emilinha, Elizeth Cardoso, entre tantos outros, eram ídolos em todos os cantos do nosso país. Da mesma forma locutores e atores das famosas novelas radiofônicas eram figuras populares e amadas pelos ouvintes.
Por Jamur Júnior

Foi nessa época, também que a voz forte da Argentina, a Radio Belgrano de Buenos Aires, começou a invadir nossos receptores, difundindo sua musica, seu país e seus astros. O tango passou a figurar na programação da maioria das emissoras de rádio. Francisco Canaro, Aníbal Troilo, Carlos Gardel, só para citar os mais conhecidos, ganharam espaço e admiradores na radiofonia brasileira.
Foi nesse tempo que surgiram programas com locutores de voz grave lendo belos poemas entremeados com tangos famosos. Um deles, “Rosa de Tango”, criado e apresentado por Souza Miranda, ficou famoso em todo o sul do país. Miranda era um craque declamando poesias de J.G. de Araújo Jorge, o preferido na época. Com sua voz grave e dicção invejável, fazer verter lágrimas nos olhas de suas ouvintes apaixonadas. Com seu ritmo bem marcado e as letras que na maioria das vezes falavam de amores não correspondidos, traições, infidelidade e outras tragédias, o tango não deixou de ser, por outro lado, um grande divulgador dos atrativos argentinos. Mi Buenos Aires Querido, Caminito, entre outros, falavam de locais pitorescos e sugestivos para os portenhos.
No vácuo do tango chegaram os boleros, rumbas e mambos. O preferido da juventude, para dançar de rosto colado, o Bolero, ganhou os salões e passou a ser destaque no repertório das grandes orquestras. Numa época de namoro vigiado, a moçada aproveitava o ritmo lento do bolero, para uns agarrões, de rosto colado, nos salões onde a musica latino-americana reinava. Nomes como Pedro Vargas, Gregorio Barrios, Alfonso Ortiz Tirado, Lucho Gatica, Trio Los Panchos freqüentavam diariamente a programação das emissoras de rádio. Orquestras como Perez Prado e seus mambos alegres e divertidos, Xavier Cugat com suas rumbeiras de pernas de forra (na época perna de fora era uma ousadia e um sucesso) animando o radio e muitas festas brasileiras. 
A invasão da música latino-americana foi tão grande que fez surgir no Brasil cantores e orquestras “tupiniquins” que se especializaram nesses ritmos. Ruy Rei e sua orquestra foi um exemplo de inspiração na musica cubana e mexicana. Cantores brasileiros de grande fama incorporaram tangos, boleros, rumbas e mambos em seus repertórios, alguns com versão feita para nossa língua e outros destacando criações de compositores brasileiros. Foi um tempo em que a vida corria mais calma, em rimo de bolero, cada um de rosto colado com a felicidade e a alegria de viver.


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2 respostas
  1. Luís Fernando says:

    Prezados Senhores

    Nos anos 80, eu adorava ouvir tango cantado por um artista brasileiro, melhor que muitos argentinos,do qual eu não lembro mais o nome, e que gostaria muito de voltar a ouvir.
    Será que alguém poderia me ajudar?

  2. Antunes Severo says:

    Você encontra algumas preciosidades no You Tube, desde Dalva de Oliveira e Angela Maria cantando tangos como Albertinho Fortuna e Cláudio de Barros. Sem contar que até a Elis Regina gravou cantando tango Italiano (em versão brasileira) em 1963.

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