O nascimento da televisão no Paraná – 24

Publicado em: 21/09/2009

Só que as coisas não foram só rosas, como esperávamos. O sistema por cabos utilizado na ligação estúdio-transmissor não foi satisfatório, piorando a qualidade da imagem e demonstrando, uma vez mais, que a teoria nem sempre corresponde à prática.

Além da perda da definição da imagem, surgiu uma interferência, representada por uma linha horizontal, que se deslocava verticalmente de maneira contínua, de baixo para cima, na tela dos televisores. Era uma situação desconfortável para quem estivesse assistindo à televisão e profundamente lamentável para nós, que lutávamos pelo aumento de qualidade.

Segundo os técnicos, precisava ser construído um equipamento que corrigisse a diferença de potencial, uma vez que a rede elétrica que alimentava os transmissores não era a mesma dos estúdios. E novos investimentos foram feitos para o desenvolvimento do equipamento que denominamos motogerador, pois, tendo um motor ligado à rede elétrica, deveria movimentar um gerador que produziria energia para alimentar diretamente os equipamentos relacionados com o vídeo. Sua função era encontrar o equilíbrio na ciclagem da rede e eliminar a interferência. Mas, além de consumir mais energia, os resultados foram absolutamente pífios e isso ainda retardou a solução da estabilização da imagem.

O problema só seria resolvido com a adoção com alguns equipamentos e haviam sido preteridos anteriormente. A fidelidade da imagem considerada somente aconteceria com a instalação de um microondas com a função de conduzir a imagem gerada no estúdio até o transmissor, via aérea, eliminando o cabo coaxial subterrâneo.

O custo do microondas era elevado e o aparelho teria de ser encontrado. Mas era absolutamente indispensável. Depois de intensa busca, soubemos de uma empresa que comercializava equipamentos americanos usados, alguns tidos como obras de guerra. E assim optou-se pela aquisição de um microondas usado, mas ainda em perfeitas condições de uso e por um preço conveniente.

Feita a encomenda, uma semana depois recebemos o equipamento, sendo instalado em apenas um dia. E com ele foram eliminadas todas as imperfeições de imagem via cabo. Finalmente uma solução profissional.
Mas os problemas não pararam por aí. À medida que solucionávamos uma deficiência, outra aparecia.

As câmeras Dage, utilizadas desde o início das transmissões, além de desatualizadas, perdiam rendimento, e uma reforma não era compensadora. A saída estava na importação de novas câmeras, mas, a análise do preço, o custo-benefício nunca era levado em conta.
Na época, o panorama da televisão brasileira começou a sofrer grandes alterações. Em São Paulo, funcionavam as TVs Tupi, Cultura, Record, Paulista e Excelsior. No Rio, as redes Tupi e Record/Rio e Continental foram surpreendidas com a transformação da modesta TV Excelsior , Canal 9, e da TV Continental/Rio na exuberante Rede Excelsior de Televisão, com força total para revolucionar o mercado. Equipamentos de última geração, produzidos pela inglesa Marconi, foram instalados.

No meio artístico aconteceu uma verdadeira devassa. Os principais profissionais das outras emissoras foram contratados pelo novo prefixo. Como as primeiras emissoras haviam sido instaladas há mais de 10 anos, os seus equipamentos já estavam em fase de fadiga, a tecnologia encontrava-se ultrapassada e as programações careciam de renovação. A Excelsior passou, então, a ser a principal e mais bem montada rede de TV do País, com um trabalho que renovou o conceito de televisão no Brasil.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *