Os Nômades do Rádio

Publicado em: 15/09/2005

Os tempos mudaram bastante o comportamento das equipes que compunham as emissoras do Sul catarinense. Conhece-se Araranguá como o mais rico celeiro de locutores da região.
Por Agilmar Machado

Atribui-se isso, possivelmente, à mistura de sotaques – entre o catarinense e o gaúcho – devido à proximidade com o vizinho estado do Sul, o que propiciava um timbre bastante original e “temperado” de voz. Ademais, a maioria se dedicou também ao jornalismo, complementando, assim, o que as pequenas equipes necessitavam entre as décadas de 40, 50 e 60. Os requisitos para um bom profissional eram muito amplos: boa voz, redação própria (com conhecimentos gerais de todas as áreas profissionais, liberais e públicas), desenvoltura para apresentação de programas de auditório e ser bom repórter.

Preenchidas essas condições fundamentais, ao profissional jamais lhe faltariam um prefixo e um considerável ganho mensal para a época.

Nesse tempo, jamais era o profissional que comparecia à porta de uma rádio para pedir emprego; sempre houve acirrada disputa entre os principais prefixos e o assédio de seus diretores que pretendiam uma equipe respeitável e uma audiência mais ampla e fiel.

Isso tudo gerava uma situação interessante: os bons profissionais viviam como nômades pelas emissoras, pois levavam consigo um nome feito e “clientela” de ouvintes também certa e pessoal.

Bastante diversa era a situação do locutor meramente comercial. Com boa voz, encontrava emprego com relativa facilidade, porém sujeito a horários sem muita audiência e a ganhos bem mais abaixo do que geralmente esperava. Este preenchia, então, os horários entre 08,00 e 11,00; 14,00 e 18,00 e das vinte horas em diante.

Numa oportunidade ou outra, substituía eventualmente os titulares na apresentação de informativos… irreversivelmente na condição de eterno “segundo piloto”.

Entre colegas havia sempre leal solidariedade e sincera amizade, malgrado as diferenças de categorias. Colega novo na rádio era sinal de que os demais iriam apresentá-lo à dona da pensão e mais uma cama e um lugar à mesa comum seriam reservados.

As pensões eram conhecidas pelos nomes dos donos (geralmente em casas de famílias). Em Criciúma, por muitos anos, o aconchego era a pensão do “seu” Frasson; em Tubarão, da dona Menininha (nesta dividi aposento com o saudoso Humberto Mendonça, por volta de 1951).
Quando se melhorava um pouco – profissional e financeiramente –, chegava-se à fase de hospedagem em hotéis de certo renome na cidade.

Assim era a vida do profissional nômade daquele tempo: de rádio em rádio, conhecendo pessoas e recebendo aplausos…

E como os aplausos faziam bem!


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