Outros tempos, outros ladrões

Publicado em: 18/07/2012

A Boca Maldita, em Curitiba, é um território democrático e livre de todo tipo de discriminação. É um ponto de encontro de jornalistas, políticos, empresários, empregados, desocupados e tantos quantos aparecerem para bater papo numa rodinha de boa conversa e muitas histórias. Um grupo de amigos antigos, todos com mais de 65 anos, costuma se encontrar naquela local para colocar a conversa em dia e reviver os bons momentos vividos na cidade. Dia desses estavam conversando sobre um tempo em que a violência não entrava na lista das maiores preocupações do cidadão curitibano. Roubavam, como sempre fizerem, ladrões profissionais, amadores e outros com representação popular. Mas, os roubos e furtos, aconteciam espaçadamente e não chegavam a merecer grandes espaços nos jornais e nos programas de rádio e televisão.

Os programas policiais no rádio e TV eram raros, por falta de interesse dos ouvintes e de matéria suficiente para preencher o espaço. As ocorrência policiais eram poucas. Um dos contadores de historias nessa rodinha de velhos amigos, relatou um fato ocorrido na década de setenta, que dá uma ideia de como as coisas aconteciam no setor de segurança. Disse ele que , após viver um tempo num pequeno apartamento no bairro Água Verde, decidiu morar numa casa com grande quintal, imenso jardim, muitas árvores, flores, passarinhos e uma tranquilidade que só se encontra nas chácaras mais distantes. Harnoldo conseguiu esse pequeno paraíso na região do Boqueirão, um bairro próximo e tradicional da cidade. Algumas semanas após a mudança, foi passar um final de semana na praia com a mulher e os dois filhos.

Quando retornou levou um grande susto. A casa estava praticamente vazia. Os ladrões haviam levado quase tudo. Fez o BO na Delegacia do bairro e ficou aguardando a investigação prometida.  Certo dia, tomando cafezinho no Alvoradinha da Rua 15, encontrou um ex-colega de colégio que era Delegado de Polícia. Contou o caso em detalhes. Como o ladrão entrou em sua casa, o que levou etc. O Delegado, experiente e conhecedor do ofício ouviu tudo e deu sua opinião sobre o ocorrido.

– Sabe, Harnoldo, pelo tipo de operação feita em sua casa, tenho certeza de que é coisa do “Pé de Cabra”! Um bandidinho do Boqueirão que entra pelo telhado e arromba o alçapão, Ele “trabalha” com um auxiliar de ladrão, que tem uma perna mais curta que a outra e é conhecido pelo apelido de “Perninha”. Sei onde ele mora e onde esconde o “bagulho” furtado. Deixa comigo que vou recuperar seus pertences.

Dias depois Harnoldo recebeu a notícia de que tudo o que havia sido furtado em sua residência estava a disposição na Delegacia do bairro. Bons tempos aqueles em que os ladrões eram conhecidos da polícia, que sabia como eles operavam e onde moravam.

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