Pioneirismo na TV também significava praticar alpinismo

Publicado em: 05/04/2008

Quando a TV Coligadas de Santa Catarina foi ao ar em 1º de setembro de 1969, a base na Rua Getúlio Vargas estava em “ponto de bala”. Mas para chegar lá foi preciso muito pioneirismo. Por exemplo: as transmissões em caráter experimental poderiam render um filme de aventuras e suspense.
Por Carlos Braga Mueller

 A base inicial no alto do Morro do Cachorro.

 

O transmissor foi montado no Morro do Cachorro, na Vila Itoupava, distrito de Blumenau, a 900 metros de altitude. Para chegar lá, só de Jipe ou Rural, isto se não tivesse chovido, porque a estrada era ainda uma trilha melhorada. montagem foi um verdadeiro ato de heroísmo de uma equipe corajosa, que enfrentava rajadas de vento impressionantes.

 

Zair Aníbal de Souza, o “Zico”, participou desse time inicial e conta muitas curiosidades no seu livro “Imagens de Uma Conquista”, lançado em dezembro de 2007. Ele relembra do grupo que subia o morro: ao seu lado iam o Joni, o Quintino, o Spina, o Oscar e o Martim. E a jornada era tão perigosa que às vezes eles saltavam e seguiam a pé, ao lado do veículo.

 

Árvores caídas na trilha eram comuns devido às fortes tempestades.

 

E depois de erguer a torre e construir a casa das máquinas (onde ficava o gerador), o difícil foi enfrentar os raios e as descargas elétricas que não acabaram nem com os quatro pára-raios que foram instalados. É que o Morro do Cachorro é de laje de pedra e no topo existe uma camada de terra muito pequena, dificultando o aterramento.

 

Um dos técnicos, Werner Pasold, revelou ao Zico: “A trovoada era lá em Brusque, e a gente levava choques aqui”. Os estúdios provisórios ficavam lá no alto do morro.

 

Enquanto os estúdios eram construídos na Rua Getúlio Vargas nº 32, no centro de Blumenau, o pessoal da parte técnica e alguns auxiliares dos serviços burocráticos tinham que ir duas vezes por dia até o alto do Morro do Cachorro, para ativar as transmissões experimentais.

 

A primeira turma saía pelas 10 horas da manhã e colocava a imagem no ar das 12 às 14 horas. A jornada seguinte começava às 18 horas, quando o destino era de novo o topo do Morro. E das 20 às 22 horas as transmissões ganhavam os céus de Blumenau e de grande parte do Vale do Itajai.

 

De início eram exibidos apenas os “slides” (as transparências), com mensagens em áudio da emissora. Depois, quando faltavam três meses para a inauguração, começaram a ser projetados filmes em equipamentos de 16 mm .

 

Eram capítulos de seriados da televisão americana, dublados, com cerca de uma hora de duração cada. Um deles, estrelado pela famosa cadela Lassie, ainda é lembrado pelos mais velhos. Como não eram exibições em “tape” (fita magnética), mas sim em celulóide (filmes 16 mm ), a cada exibição o filme ia riscando e chegava uma hora em que ficava difícil de assistir, tantos eram os riscos que tinham as imagens.

 

A criatividade dos pioneiros

 

Os “slides” iam sendo mostrados naquele projetor rudimentar de apenas dois quadros. O operador projetava um e para entrar o seguinte tinha que trocar manualmente o slide. Mas ao avançar de um lado para o outro, o espectador via a imagem correndo. Irani Macedo, o diretor artístico recém contratado, encontrou a solução: ao correr a imagem apaguem a luz do projetor rápido e acendam em seguida. Acende , apaga, acende, apaga: assim começaram as imagens da pioneira TV Coligadas de Santa Catarina, sediada em Blumenau.

 


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