Pontos de fuga

Publicado em: 29/01/2012

Já perdi a conta das vezes que ouvi pessoas dizerem que gostariam de voltar no tempo e recomeçar suas vidas, com a lucidez e a sabedoria da maturidade. Bem, é verdade que nem todos chegam lúcidos e sábios à maturidade. Alguns, aliás, insistem em não amadurecer, preferindo permanecerem “jovens”, não no sentido espiritual, mas cultivando a irresponsabilidade por seus atos, sempre esperando que alguém os “entenda” e tolere. Mas, além daqueles que gostariam de voltar ao passado para corrigir erros, optar por alternativas que não notaram ou descartaram, também há os que querem que seu futuro seja previsto. Esses, de certa forma, abrem mão do livre-arbítrio para seguir as orientações de videntes, pagas a preço de ouro, mas sem nenhum certificado de garantia.

Assim, o ser humano perde muito tempo pensando no passado ou tentando prever o futuro, mas esquece de viver o presente.

“Como será o amanhã?… O que irá me acontecer?”, diz uma canção; “Esses moços, pobres moços: ah, se soubessem o que eu sei…”; afirma outra; “Devia ter amado mais…; complicado menos…; ter visto o sol se pôr…”, diz mais uma.

Pois é… Se a gente voltasse no tempo talvez não lançasse algumas pedras, não dissesse certas palavras, nem perdesse algumas oportunidades. Mas, pensar assim só serve para distrair tristezas, esquecer frustrações, mágoas ou arrependimentos. Pode justificar, oportunamente, o presente, mas não necessariamente contribui para mudá-lo, nem ao futuro. Assim, nem sempre a gente fixa o olhar na linha do horizonte, qualquer que seja a direção, em busca de novas perspectivas. Às vezes o que se quer são apenas pontos de fuga.

É preciso ter muito cuidado, pois isso pode virar um perigoso freio, uma neurose, uma mania! E daí para uma patologia…

Aí, pensei “com os meus botões”: “E eu? O que eu mudaria em minha vida, se pudesse voltar no tempo?”.

Provavelmente eu evitaria algumas brigas, mas, certamente, “compraria” outras tantas ou mais. Talvez eu expressasse mais minhas opiniões, em vez de deixar que os outros interpretassem meus pensamentos. Pode ser que eu me esforçasse para ser menos tímido, ousar mais. É possível que eu tentasse outros caminhos profissionais ou dentro das mesmas profissões. Quem sabe, me declararia a todas as mulheres que amei, em vez de “curtir” paixões platônicas, etéreas ou deletérias. Mas, sempre que eu acordo e vejo o sono lindo e sereno da mulher que eu amo, tão perto de meu coração, do meu carinho e do meu desejo, entendo que essa tola regressão temporal poderia, sim, mudar o futuro, e talvez eu jamais a encontrasse… Com isso, não haveria meu filho!

Sendo assim, não! Eu não quero voltar ao passado! Dele eu só quero as boas lembranças e as lições para seguir em frente.

Tristezas, amarguras, erros e frustrações fazem parte dele, sim; mas, hoje, eu os entendo como pedras do caminho que trilhei para chegar àqueles que eu mais amo, que são meu melhor presente.
É por eles e com eles, lado a lado, que penso e acredito no futuro!
Pois é… Às vezes a gente lamenta demais o passado, fantasia demais o futuro, olha demais para o espelho, tudo para tentar focar o que mal se pode ver. No entanto, esquece de notar quem está presente, ao nosso lado, bem próximo…

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