Professores opinam sobre a TV Pública

Publicado em: 14/10/2008

O Caros Ouvintes está debatendo a TV Pública no Brasil. Para tanto destaca a opinião de três professores de ensino superior que lecionam Telejornalismo.

A professora Regina Zandomênico, da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, não acredita em TV Pública independente. Para ela, o dono da empresa, o Governo Federal, sempre vai interferir na programação.

O Professor de Telejornalismo Fernando Crócomo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) destaca, por sua vez, que o papel da TV Pública é oferecer uma grade alternativa para a população, com bons programas jornalísticos, curtas e documentários.

Giovana Flores, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) , campus de Palhoça, na Grande Florianópolis, cita a TV Cultura de São Paulo como um bom exemplo de TV Pública. A professora defende também uma programação regionalizada para esse tipo de emissora.

Regina Zandomênico (Estácio de Sá)

“No Brasil a programação da TV Pública, através da TV Brasil,  tem uma missão ousada: ser independente do Governo Federal. Mas dá para acreditar que o critério de noticiabilidade de um veículo de comunicação não recebe a interferência do “dono” da empresa?  Já está acertado que o financiamento da TV Pública virá do orçamento da União, de patrocinadores e até mesmo de doações.

Será inocência acreditar que nenhum deles vai interferir na programação, indicando ou obstruindo fontes, informações e até mesmo imagens. Por mais que se insista na imparcialidade no jornalismo, no dia a dia das redações, qualquer profissional de imprensa sabe que a noticiabilidade é influenciada por vários fatores.  Dentro deste contexto estão incluídos desde o critério pessoal  e infra-estrutura disponível até o fator tempo e as “regras da diretoria”.

O próprio ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, admitiu que existe risco de interferência do governo na programação da TV Pública, mas defendeu-se dizendo que esse risco  não existe só na TV pública. Por enquanto, acredito que vamos apenas ver a reprise de um filme em uma televisão nova”.

Fernando Crócomo (UFSC)

“Há mais de 15 ou 20 anos, estudantes de comunicação esperavam ansiosos um espaço na programação de TV para participar com algum produto em vídeo – programas jornalísticos, curtas, documentários. Eram poucos os canais e o objetivo inicial era ter acesso a algum deles. Muito se falava do monopólio da Globo. O tempo passou, os canais se multiplicaram e só agora, com essa produção mais facilitada (com os equipamentos digitais) é que esse acesso aos canais está mais próximo de se tornar realidade. E são as TVs Públicas as primeiras que podem e devem abrir este espaço.

Não só pela quantidade e pela maior facilidade em produzir, como também pela qualidade dos vídeos. Além de oferecer uma programação alternativa às emissoras comerciais, as TVs Públicas precisam incentivar essa produção local e exibir esse material que pode mostrar melhor o que acontece no Brasil”.

Giovanna Flores (Unisul)

“Penso que a TV Pública no Brasil deve ser mais valorizada, principalmente pela sociedade. Temos bons exemplos de TV Pública, como a TV Cultura, que tem a sua programação voltada para a sociedade, com excelentes programas que ajudam a formar cidadãos mais críticos e conscientes. Mas para que haja
realmente o desenvolvimento desse modelo de TV, é necessário leis mais claras e gestão mais eficiente.

Também se faz necessária a programação  regionalizada, que faça sentido para o telespectador, que trate de diferentes temas de diversas localidades. Que mostre a diversidade cultural do Brasil. Acredito também que é necessário ter projeto único para a Tv Pública, que fomente a produção nacional e que avalie e cobre bons conteúdos. Temos que ficar atentos para não ser apenas mais uma, como as tv comerciais”.

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