QUANDO A GENTE SE ACOMODA

Publicado em: 13/11/2006

1. “A gente pita, cospe
e passa o pé;
e leva a vida
como Deus quisé.”
Por Elóy Simões

“Vancê não sabe
como é bão vivê;
nunca casinha branca
de sapê;
uma muié
pra me fazê carinho,
uma galinha,
dois ou três pintinho;
uma viola presa na parede….”
“Ô vida marvada,
num dianta faze nada…”
2. Não é de hoje a queixa de publicitários de que o cliente não aprova idéias novas que lhe são apresentadas.
Também não é de hoje a queixa de clientes, de que as agências não apresentam idéias novas.
Afinal, o que está acontecendo?
Acho que na maioria dos casos, ambos os lados andam fazendo como o caipira do Vida Marvada, cujo trecho transcrevi no começo desta minha conversa.
3. Do lado do Cliente, o executivo, na ânsia de proteger o próprio emprego, não arrisca – e peça criativa, idéia inovadora, representam, para alguns, um risco. Por serem novas, dificilmente são testadas.
Então, safam-se dizendo coisas como:
– Minha empresa é  conservadora, não se coaduna com essa idéia.
– Precisamos vender, e não dá pra saber se essa idéia vende;
– Eu não gosto de brincadeirinhas.
– Mostrei pra minha secretária e ela achou horrível.
Com isso ele vai fazendo uma comunicação repetitiva. Pior: desestimulando a agência, que acaba se acovardando, se acomodando. Como,na música, convence-se de que “num dianta fazê nada”. E não há nada pior do que isso.
Resultado: um dia, o presidente da agência tira um tempinho para analisar as pesquisas do Instituto Nilsen e se assusta, porque encontra, aqui e ali, perda de mercado. Pede uma pesquisa para chegar a imagem da empresa, vê que ela está arranhada.
E bota todo mundo na rua. O executivo, a agência, todos. Ô vida marvada.


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