Sicredi, belo exemplo da força do cooperativismo

Publicado em: 18/12/2014

Ao passar os olhos em dados relativos à ação do Sicredi no ultimo ano deu estalo sobre algo que deveria ser muito maior entre nós: a filosofia e a ação do cooperativismo. Trata-se de questão que as escolas, as universidades, os intelectuais, o próprio governo deveriam dar maior atenção pelo que significa no campo econômico e social.

Arrisco dizer que permite ponto de vista saudável até para sair da lengalenga subjacente à discussão em torno de esquerda ou direita que pouco diz nestes tempos mais complexos.

Conforme os próprios lideres “em termos gerais o Cooperativismo é a doutrina que considera as cooperativas a forma ideal de organização da humanidade, baseado na democracia, participação, direitos e deveres iguais para todos, sem discriminação de qualquer natureza, para todos os sócios”.

O cooperativismo como conhecemos hoje, tem suas origens na Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra do século 18, época em que a mão-de-obra perdeu poder de troca.

Cooperativa é organização de pessoas que se baseia em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade, solidariedade. Seus objetivos econômicos e sociais são comuns a todos os seus associados devem acreditar nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante. Os aspectos legais e doutrinários do cooperativismo são distintivos de outras sociedades.

Sete princípios constituem a linha orientadora das cooperativas e formam a base filosófica da doutrina. Estes princípios, derivados das normas criadas pela primeira cooperativa de Rochdale, Inglaterra são mantidos pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI).

São eles: 1) Adesão voluntária; 2) Gestão democrática; 3) Participação econômica dos membros; 4) Autonomia e independência; 5º) Educação, formação e informação; 6) Intercooperação: 7) Interesse pela comunidade.

Segundo a assessoria da imprensa da instituição em Passo Fundo, em 2013 o patrimônio líquido do Sicredi foi de R$ 5,3 bilhões, o volume de ativos cresceu 24% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 38,4 bilhões, e as sobras geradas cresceram 26%, atingindo R$ 846,3 milhões. Presente em 11 estados tem 1.300 pontos de atendimento e mais de 2,6 milhões de associados e mais de 17 mil colaboradores.

Um dos pilares do crescimento do Sicredi é a concessão de crédito rural (crescimento anual entre 20% e 27%) sendo o principal agente privado na concessão da linha Pronaf, do BNDES, destinada ao fortalecimento da agricultura familiar.

No Rio Grande do Sul, o Sistema está presente em 90% dos municípios e é a instituição financeira com a maior rede de atendimento. Nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, o Sicredi atingiu mais de R$ 23,46 bilhões em ativos, registrando crescimento de 13,7% sobre o ano passado e soma 1.514.618 associados.

Já o patrimônio líquido ficou acima dos R$ 3,20 bilhões, representando uma evolução de 21,2% sobre igual período de 2013. E os depósitos totais cresceram 12,16%, somando mais de R$ 13,14 bilhões.

Os números do Sicredi estão dizendo que o cooperativismo – que na produção de grãos já foi muito maior – pode ser um caminho para quem deseja empreender. Tendo presente as lições do passado pode-se dizer que cooperativa não precisa ser necessariamente grande e reiterar que seu segredo básico é a confiança mutua entre as pessoas; bem conduzido, esse processo só não faz chover.
Membro da Academia Passo-fundense de Letras

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *