Só os bons sobreviverão

Publicado em: 19/10/2008

O novo site/blog de Caros Ouvintes ficou muito “luxento”. Achava melhor o anterior. Não é uma crítica nem construtiva e nem destrutiva. É a opinião de um chato, de um “crica”.Depois do aprendizado e do exercício acentuado da profissão via Internet, fiquei assim. E, em sendo “antigo”, caduco, impertinente e impaciente, piorou muito.

O Severo há de me perdoar, até porque, como eu, ele é atacado pelos mesmos males. Talvez não tanto, por causa do vento sul encanado no Calçadão da Felipe e pela visão esplendorosa da Ponte Hercílio Luz nas iluminadas noites de luar na Ilha Capital – como diria Celsinho Pamplona.

Dito isto, vamos lá.

Estou seguindo para o sul na semana que vem (de 19 em diante) para conversar com meus amigos das emissoras de lá. Estou ampliando meus horizontes, recomeçando um recomeço fantástico, irrigado pela progressiva modernidade da rede mundial, procurando estabelecer um novo tipo de atividade.

É isto: a comunicação evolui e evolui muito além da nossa capacidade de acompanhar. É bom estar sempre perto dos desenvolvimentos, das novidades, das novas tecnologias. Acabei de adquirir um modem da Tim da tecnologia 3G para operar minhas transmissões e captações sem fio e de qualquer lugar onde estiver.

Acho que, hoje, o radialista e o jornalista que não queira ficar nessa conversa adversa de patrão e empregado, na briga por salários e por vínculos assim ou assado, deve procurar sua independência. Vínculo, só eventual e sem a agoniada subserviência aos valores materiais. Nem financeira, nem política, nem pessoal, nem familiar. Longe, muito longe.

Daqui a pouco, não muito tempo, o sistema atual da rede sem fio estará para trás. Quem sabe estaremos adicionando posts por força mental. É aí que nos devemos apegar.

Minha rádioweb, que vai começar não sei ainda quando, será um dos suportes de minha atividade. Vou transmitir até briga de galo e corrida de formiga.

Sigo aquela lógica introduzida por Luciano do Valle, quando saiu da Globo. Pensaram que ele estaria acabado sem a Vênus Platinada na sua vida. Ledo engano. Luciano partiu pra outra, elegeu os esportes menos nobres e mais desconhecidos e acabou sendo o grande introdutor do vôlei, do boxe, do futebol americano, do tênis e da sinuca nas grades de programação das grandes emissoras.

Mais ou menos como fez a Rede Bandeirantes com a música sertaneja, no começo da década de 80, final da década de 70. Ninguém dava bola para o estilo sertanejo, até que a Bandeirantes criou o programa Som Verde e explodiu, gerando um novo tipo de entretenimento e mudando os valores da televisão na área musical.

O negócio é criar. Não, nem tudo precisa se copiar, aperfeiçoando. Dá para criar muita coisa ainda. E quando falo na primeira pessoa do singular, não estou dando demonstrações de egocentrismo ou personalismo e nem bancando o pedante. É que cada um precisa saber, na nossa profissão, que o mundo não é e nem será, nunca mais, o mesmo.

Enquanto se luta, na área do jornalismo, pela manutenção da regulamentação da profissão – nem tanto pelo diploma que, como disse o nosso presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, é mais do interesse da indústria gráfica – precisamos crescer no sentido de sermos os melhores.

E só os melhores sobreviverão, com ou sem regulamentação, com ou sem a exigência de diploma.

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