Obrigado Augusto Borges Mello

Publicado em: 30/08/2008

No radioteatro, o diálogo dos atores e atrizes tem que ser bem escrito. Tem que haver uma boa interpretação dos artistas. Porém, só isso não basta para que a cena se torne real no imaginário do ouvinte. Falta à palavra falada dividir o espaço radiofônico com a música, ruídos e silêncios, elementos essenciais para se atingir o efeito desejado.

 Para executar esse trabalho de união entre texto e mais componentes da dramatização a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, nos anos 1950 e 1960,  possuía na parte musical o sonoplasta Augusto Borges Mello,  que nos deixou recentemente .  Na parte dos sons e efeitos de cena, a emissora contava com o contra-regra Manoel Bruno Júnior.
A música é importante no contexto de uma encenação pois gera curiosidade, tranquilidade e descontração. Melodia e ritmo podem provocar também melancolia e saudade. Assim sendo a música permite o desenvolvimento do armazém imaginário, que existe dentro de cada pessoa, fazendo com que o ouvinte idealize determinado momento radiofônico.
Em depoimento de 1997, Augusto Borges Mello relatou-me que o seu dia-a-dia como sonoplasta consistia em selecionar discos na discoteca da Diário da Manhã para criar um arquivo especial para ser utilizado em novelas. Faziam parte de sua lista musical a Nona Sinfonia de Bethoven e o poema sinfônico Morte e Transfiguração, de Richard Strauss, além de vários trechos de filmes de Hollywood.
Desde quando entrou na RDM em 1955, Augsuto Borges Mello sempre trabalhou com sonoplastia. Por isso, sua pratica com o métier lhe davam segurança de às vezes chegar na emissoras apenas 10 minutos antes da novela ir para o ar : « Pra mim era fácil, pegava o script para conferir quais as músicas necessárias para o capítulo do dia e as selecionava. Conseguia fazer isso muito rápido ».
A música tinha a capacidade de despertar o mundo imaginário dos radiouvintes, fazendo com que psicologicamente o público se envolvesse ao máximo nas histórias seriadas. A música aplicada na dose certa era responsável por um realismo fantástico, que estava sob a coordenação de Augusto Borges Mello. Obrigado por tudo.

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