Uma luz na outra casa

Publicado em: 11/07/2008

Maria Célia e Renato estão casados há um ano e meio e ainda não têm filhos. A jovem não se conforma com duas coisas. Uma delas é a desaprovação do seu casamento pela mãe dela, Consuelo, e pelo médico da família Doutor Sampaio. A outra angústia de Maria Célia é em relação à morte do pai. Nunca foi dito a ela a causa da morte dele.

Maria Célia cuida dos afazeres domésticos e Renato possui suas atividades profissionais. No período da noite, a jovem começa a ver uma luz acesa na casa ao lado da deles, que oficialmente está desocupada.   Maria Célia resolve ir até o imóvel. Ela diz que aquela luz a chama, acena pra ela. É como se alguém pedisse para que ela fosse ao seu encontro. Maria Célia confessa que a luz tem um poder misterioso de atraí-la para a casa abandonada. Maria Célia vê alguém se aproximando. Fica apavorada. Não quer que esse ser a toque. Berra. Pede para este ser deixá-la em paz. Mas Maria Célia continua na calada da noite a freqüentar o imóvel.
Numa dessas idas à casa abandonada, em busca da luz misteriosa, Maria Célia perde a aliança de casamento. Um pedinte, Fabrício, a encontra. Ao bater na casa de Maria Célia e Renato, Fabrício ganha dinheiro como esmola. Para agradecer a generosidade dá ao casal a aliança. Renato fica surpreso em verificar que aquela aliança é a da esposa. Pressionada, Maria Célia conta ao marido que esteve no terreno da casa desocupada e que lá perdeu a aliança. 
O marido procura o Doutor Sampaio. Relata ao médico que a esposa sofreu uma mudança radical. Está triste, sombria, amarga.  Sampaio pede para ver Maria Célia. Depois de examiná-la, Sampaio diz a Renato que Maria Célia mudou o comportamento devido à gravidez.
Antes sonhadora com um filho, Maria Célia não quer falar sobre o bebê. Parece ter aversão à criança.
Renato está desconfiado. Há um bom tempo o casal tentava ter um filho e não conseguia. Porém, após as escapadas da esposa, Maria Célia engravida. Mera coincidência? 
Renato resolve seguir a esposa até a casa abandonada. Ele não vê nenhuma luz no imóvel, mas percebe que a esposa está lá. Ele ouve a voz de Maria Célia. Ela pede para alguém abraçá-la, beijá-la. Diz a esse alguém que virá vê-lo sempre e que ainda não cumpriu a promessa de matar o marido, mas vai fazê-lo.
Renato grita pela esposa. Ela se revolta contra ele. Diz que ele veio espioná-los, ela e o amante. Maria Célia quer matar Renato com uma faca e é controlada pelo marido.
Renato procura Consuelo e o Doutor Renato, que lhe contam um segredo. Maria Célia herdou a insanidade mental do pai, que morreu num sanatório.  Era por isso que Consuelo e Sampaio não queriam que Maria Célia se casasse. Nunca houve luz na casa abandonada. Tudo só existia na imaginação de Maria Célia, que foi internada.
Renato se dedica à filha, com a ajuda da avó Consuelo. A menina é a melhor da classe e todos estão orgulhosos dela. Numa manhã, a menina demora para acordar. O pai desconfia que a filha foi dormir tarde. A pequena fala que não foi isso, que ela despertou de madrugada e não conseguiu dormir mais. Que foi ao banheiro e que olhou pela janela. Que viu uma coisa. Uma luz, uma luz na casa do lado.     
 O enredo relatado faz parte de uma peça completa escrita por Gustavo Neves Filho para ser transmitida numa sessão de  radioteatro da antiga Rádio Diário da Manhã de Florianópolis.

2 respostas
  1. João F. Nolasco says:

    Um conto interessante e que mostra, ao lado do aspecto inesperado, como a hereditariedade é importante em nossas vidas! Nem por isso se deve amaldicioar e prejulgar as pessoas, às vezes temos de aceitá-las como realmente são! Estão aí, vivas, palpáveis, ao nosso lado!

  2. Ricardo says:

    Nolasco, obrigado pela tua reflexão e contribuiução.
    Um forte abraço,
    Ricardo Medeiros

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